ACASO DO DESTINO 12ª PARTE




Ana e Miguel chegavam no dia seguinte, Filipa ficou de os ir apanhar ao aeroporto, e levá-los directamente para casa. Os pais de Fernando apenas viriam nas vésperas da noite de Natal. Rita andava eufórica  com a tia, que andava numa roda viva comprado decorações alusivas à época. Tinham decidido dar a notícia a Rita e Ana juntos. Apesar de terem o apoio do resto da família, andava muito nervosa. Fernando insistiu com ela para convidar a família do cunhado para passar a noite da consoada com eles. Afinal eram familiares de Ana, e ela era a única família que lhes restava. A casa, embora grande, parecia-lhe pequena para receber tanta gente, principalmente tanta criança. Anita, também vinha com a sua enorme barriga.

- Porque não me pediste para ir às compras? Estás bem? - Desde que soubera que estava grávida, não a deixava fazer praticamente nada.
- Sim, estou. Vais passar o tempo a perguntar-me isso?
- Só quero ter a certeza que estás bem.
- Estou, e para que conste, estou grávida, não doente.
- O dr, disse para não fazeres esforços. E andas aí de um lado para outro.
- Queres que passe o dia na cama?! Ou no sofá?!
- Se eu estivesse em casa, certificar-me-ia que passavas o dia na cama
- E que fazias à Rita? E a Rosa, e à dona Joana?!
- Sabes, desde que te vi entrar naquele escritório a primeira vez, soube que eras o tipo de mulher que me ia dar muitas dores de cabeça. Mas nunca pensei que fossem deste tipo.
- Alguma reclamação quanto a isso?
- Nenhuma. - Tirou-lhe o caderno das mãos e olhou para este antes de a abraçar - Então, está tudo em ordem?
- Sim, apenas constato que esta lista não para de crescer.
- O que é bom. Natal é tempo de estar com os que amamos. - Abraçou-a e passou a mão na barriga que ainda mal se notava - Não vejo a hora de te ver como a Anita.
- Gorda?!
- Linda! - Beijou-a, antes de a envolver num abraço que dizia o muito que a amava. A campainha soou insistentemente.
- Filipa! - Raramente levava as chaves - Tu, senta-te, vou lá antes que a nossa miss simpatia lá chegue.
Ela riu-se, se a dona Joana o ouvi-se referir-se a ela assim, o mais provável era que se despedisse.
- Surpresa! - Ana e Miguel espreitavam pela porta da sala.- Chegámos, não queria esperar para te ver.
- Ana! Oh meu Deus! Chegas-te. - Entre lágrimas abraçou a filha e uniu Miguel ao abraço - Como estão?! Tem fome?! Deixa-me olhar-te! Estás tão bronzeada...
- Mãe! Respira! Acabamos de chegar, não vamos partir. Pelo menos por agora.
- Não estava à vossa espera. Ficam para jantar. - Era uma afirmação, não um convite. Ana, franziu o sobrolho e olhou a mãe detalhadamente.
- A minha mãe está à nossa espera. - Miguel falou pela primeira vez - Acho que ela já fez o jantar.
- Não aceito um não. Vais telefonar à tua mãe...
- Ela ficou com Fernando.
- Óptimo. Assim estamos todos.

A conversa estava animada na sala, Rita, sentada no colo do pai, ouvia atentamente tudo o que eles tinham a contar sobre a viagem. Ela e Filipa acabavam o jantar.
- E quando pensas dizer-lhe? - Filipa, ria-se da insegurança da amiga - Esperas que essa barriga cresça para lhe contares que vai ter um irmão?!
- Depois do jantar. É melhor.
- E porque não agora?! Rosa ainda está no duche, eu posso cuidar disto aqui e vocês falam com as miúdas.
- É melhor esperar-mos.
- Quem não aceita um não agora sou eu. Vai lá! Vamos! - Dirigiu-se para a sala - Miguel! - Chamou o filho - Podes ajudar aqui? A tua futura sogra precisa de fazer uma coisa.

Miguel veio rapidamente. Pela expressão de Fernando pode ver que ele não estava à espera. Ana ofereceu-se para ajudar mas Filipa dispensou-a dizendo que três é demais, e que a mãe precisava dela.

- Não vale a pena adiar a situação. - Fernando levantou-se e fez sinal a Rita para que se senta-se junto a Ana - Eu e a tua mãe temos algo a dizer-vos - Agarrou a mão dela e puxou-a para junto dele - Como deves de ter reparado, gostamos muito da tua mãe. Não foi uma coisa planeada, acho que falo pelos dois quando digo que não estávamos à espera.

 Fernando calou-se observando a reacção das duas, Ana sorria e Rita olhava com cara de susto para o pai. Ela achou melhor continuar.

- Lembras-te de me dizeres que ainda sou nova?! Que devia de seguir os meus conselhos e parar de me preocupar com os demais?! - Estava mais complicado do que ela tinha pensado, afinal não se dava uma noticia destas assim!
- Sim?! - Ana, tentava manter-se séria.
- Bem, ás vezes a vida tem surpresas. Partidas que o destino nos prega. E quando as coisas acontecem temos de aproveitar o momento, a felicidade não bate à porta duas vezes...
- Mãe, esta conversa toda é para dizeres que andas a namorar com o Fernando?! - Ana tentou conter o riso
- Afinal, ela é mais perspicaz do que pensavas! - Fernando soltou uma gargalhada - E bem mais directa!
- Tu namoras com o meu pai?! - Rita parecia confusa.
- Acho que posso dizer que sim. - Olhou para ele, que sorriu e sentou-se junto à filha - Pensava em dizer-te mais tarde, mas...
- Oh mãe! Estou tão feliz por ti. Por vocês. Devo confessar que para mim não é surpresa. Já tinha desconfiado. Caso tenhas esquecido já tenho 15 anos!
- Eu sei, não sabes como fico contente por não te opores.
- Isso quer dizer que agora também és minha mãe?! - Rita, parecia contente com a situação.
- Oh minha linda, já te adoptei no meu coração à muito! - Lágrimas começaram a fluir ao abraçá-las.
- Oh mãe, não é preciso chorar.
- Eu sei... - Mas não se conseguia controlar, as hormonas acabavam com toda a sua compostura...
- Mas há mais. - Fernando tossiu um pouco - Vão ter um irmão. Ou uma irmã.
- Um mano?! - As duas falaram ao mesmo tempo, como se fossem gémeas. - Um bebé!

As duas começaram aos gritinhos, e aos pulos como duas loucas. Rosa entrou nesse instante e juntou-se ao alarido quando soube da novidade.

- Acho que este bebé vai ser o bebé mais desejado do planeta. - Ele segredou-lhe ao ouvido - Acho melhor guardar a noticia do casamento para outro dia.
- Casamento?! - Ela olhou-o com os olhos rasos de lágrimas
- Sim, no solar ao por do sol... Que dizes?! Achas boa ideia?
- Maravilhosa!

Um ano e três meses depois, o solar vestia-se de festa. O baptismo do pequeno Ricardo e de Alfredo, filho de Anita, começou com uma cerimónia linda na capela do solar, onde Fernando e Catarina renovaram os votos do casamento, que no ano anterior tinha sido apenas no civil. Como pano de fundo tinham o por do sol, que se via através das vidraças enormes da capela, como ele tinha prometido. Os dois bebés dormiam pacificamente ao colo das madrinhas, na ala direita da capela a família dele, que agora passava a ser dela também, na ala esquerda o que restava da família que outrora fora dela, Artur e a esposa juntamente com os seus quatro filhos, assim com Filipa e Miguel que futuramente, se o destino assim o permitisse, viria a ser também família.


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