DESTINOS CRUZADOS 5ª PARTE
- Não estou ofendida, apenas surpreendida.
- E porquê?
- Porquê?! Se, e digo, se, nos casássemos, o que acontecia quando encontrasses alguém com quem quisesses passar o resto da tua vida?
- E quem disse que vou encontrar?!
- Um dia vais apaixonar-te!
- Tenho-te a ti! - Ela sentiu o coração bater mais rapidamente, se disse-se que a amava...- Quero-te, a mim basta-me.
- Queres-me agora! Mas, quando o desejo acabar?! Que fazes?!
- E se não acabar?!
- O desejo acaba, o amor não!
- Amor, desejo, é tudo igual! - Ele começou a ficar irritado - É apenas um sentimento.
- Só um homem para achar que desejo é o mesmo que amor! Tem de existir algo mais!
- Dar uma família Timy, é um motivo tão bom como outro qualquer!
- Não para mim! Adoro-o, mas casar?! Desculpa mas não! Se te preocupa que o possa deixar, fica descansado. Dei a minha palavra.
- Sabes que mais?! Estou cansado desta conversa. Chega aqui...
Puxou-a pela mão, beijou-lhe a testa, a cara e começou a distribuir beijos por toda a sua cara e pescoço, até parar na boca. Entrelaçou os cabelos dela nos seus dedos e brincou com eles ao mesmo tempo que a beijava avidamente. Su entregou-se ao beijo e não reclamou quando ele a levou ao colo para o quarto.
A pouco e pouco, tudo voltou ao normal. Como se tivessem feito um pacto de silencio, nunca mais falaram no convite, dedicaram-se apenas a desfrutar da companhia um do outro. Su mudou-se definitivamente para o quarto dele, Timy estava cada vez mais conversador e ela adorava ensinar-lhe novas palavras. E continuava a emocionar-se quando ele lhe chamava mãe. Um dia teriam de explicar-lhe que os pais tinham falecido... Esperava estar bem longe quando esse dia chega-se.
A primavera estava a chegar, os dias estavam maiores e o sol brilhava com mais força. Timy tinha feito grandes progressos, já comia sozinho, embora não gostasse da comida da nova cozinheira, caminhava sem ajuda e já dizia pequenas frases. Quando Michel trabalhava no escritório, eles passavam a tarde no jardim. Raramente saia, não precisava, tinha ali tudo o que precisava para ser feliz. Isto se não começasse a pensar no dia em que Michel se cansa-se dela! Muitas noites sonhava com isso e acordava agitada, se Michel acorda-se aninhava junto a ele, caso contrário, ficava a olhá-lo até adormecer.
Timy ainda dormia e Michel tomava duche, ela levantou-se antes dele e desceu. Fez chá e sentou-se a olhar o jardim, o dia estava lindo. Podia tirar algumas horas, ir até ao parque, beber um café, e comprar flores, tinha de lhe pedir para ficar com Timy, enquanto ela ia ao cemitério. Desde que ele chegou a casa que ela não ia visitar a campa da avó, e não gostava de estar tanto tempo sem lá ir.
Saiu cedo para não encontrar muito trânsito, não queria estar muito tempo fora. O telemóvel tocou mal entrou no carro.
- Sim?!
- Sim?! E dizes tu ser minha amiga?! - Rita gritava - Os amigos não escondem coisas!
- Podes acalmar-te e dizer que se passa?!
- Que se passa?! Onde estás?!
- Vou ao centro comercial.
- Encontramos-nos lá.
Su ficou a olhar o telemóvel uns instantes, Rita estava irritada, e ela não compreendia o motivo. Felizmente havia pouco trânsito e depressa chegou ao centro comercial. Parou na pastelaria do costume, era lá que ela e Rita gostavam de beber café. Sentou-se e pediu um café e torradas. Uma mão poisou no seu ombro...
- Ora bem! Explicas-me isto? - Rita atirou uma revista para cima da mesa - A tua cara não se vê mas conheço essa pulseira muito bem!
- Não estou a perceber...
- Lê... Vamos!
Su olhava para Rita e para a revista, a amiga estava realmente furiosa... Que tinha ela feito para que a amiga estivesse assim?! Olhou a fotografia com mais atenção, via-se Michel a abraçar uma mulher pela cintura e a acariciar-lhe o cabelo, ela tinha a mão apoiada no peito dele, estava de costas, apenas se via o cabelo e a pulseira... Era ela! Abriu a boca mas não conseguiu dizer nada. Olhou para a amiga, parecia furiosa, ia pedir desculpas mas esta começou a rir...
- Estou a brincar!
- A brincar?! Isto é brincadeira que se tenha?!
- Amiga... Se eu tivesse um italiano na minha cama, acredita, além de não sair de lá, também não dizia a ninguém!
- Mas porque é que as coisas contigo acabam sempre na cama?!
- Ora, não me tentes enganar. Queres fazer-me crer que não dormem juntos?!
- Lá estás tu.
- Tu é que estás. Esqueceste que te conheço como ninguém! Armaram este esquema e pronto. Admite!
- Não à nada a admitir, lembras-te da directora me chamar? - Rita anuiu - A ama não era para o sobrinho dela, era para Michel!
- Michel?! Já o tratas pelo nome... Vamos bem...
- Oh cala-te!
- Já me calei. Conta lá, como é?!
- Outra vez?!
- Ora, nunca contaste nada!
- Nem vou contar. Pelo menos, aquilo queres que te conte. Escuta, o sobrinho da directora é advogado dele, eu pensei estar a trabalhar para ele, pois foi com ele que fui falar ao escritório, mas quando dei por mim, tinha um contrato assinado com Michel!
- E aposto que ficas-te muitooo desiludida!
- Não gozes. Aceitei o trabalho porque queria fugir dele, pensava nele constantemente, sonhava com ele...
- Amiga, está escrito, estava destinado cruzarem-se! - Rita piscou o olho à amiga - E a julgar pelas fotografias já se cruzaram, e bem!
- Não sejas assim! Desculpa, não podia contar muita coisa, o advogado fez tanto secretismo e pediu descrição...
- Esquece isso. Diz-me, como é estar com um italiano?! Porque finalmente perdeste... Conta...quero pormenores...
O olhar que Su fez foi suficiente para a amiga perceber que tinha razão.
- Isso fica entre mim e ele.
- Eu sabia! Ele é tão apaixonado como dizem?! Os italianos, quero dizer. Contaste-lhe que eras virgem?! Ou descobriu ele na hora H?!
- Nem mais uma palavra! - Su ameaçou-a, com a torrada. - Nem um piu!
- Bolas, consegues estragar a festa a uma pessoa! Mas também não preciso, tenho a revista, e eles sabem detalhes...muitos detalhes...
Su sabia que a amiga a estava a irritar, queria ver se lhe contava algo, mas tinha curiosidade em saber que escreveram dela. Bebeu o resto do café e estendeu o prato com a torrada a Rita.
"O milionário Michel Vaillan finalmente adoptou o pequeno Timoty, (ver página seguinte) Depois de muita hesitação, Timoty, ou Timy, como é carinhosamente tratado pela ama, é oficialmente filho do milionário. Esta mudança de ideias terá algo que ver com o tórrido romance que o milionário mantêm com a ama do pequeno? Sabemos de fonte segura, que a ama é uma desconhecida, até à hora do fecho desta edição não conseguimos apurar a sua identidade, a mesma fonte assegura que eles não se coíbem de trocarem beijos e abraços. A ama, foi contratada pelo advogado do milionário aquando da viagem deste a Itália..."
- Mas como é que esta gente sabe?!
- Alguém contou! Michel?!
- Não, não acredito!
- A fotografia foi tirada perto.
- Com as máquinas de hoje em dia, até podem estar na china.
- Vais dizer-lhe?!
- Não sei, acho que não gosta muito de jornalistas.
- Acho melhor ir eu dizer-lhe. Sabes, pode precisar de apoio.
- Só tu...
- Compreendo o teu medo, se ele me vê esquece-te num ápice!
- Inevitavelmente.
A ideia de que ele a esquecesse colocou uma nuvem no seu olhar.
- Meus Deus! Estás completamente apanhadinha! Estava a brincar!
- Eu sei, mas um dia isso vai acontecer.
- Ei?! Então?! Que falta de ânimo é esse?
- Não é falta, é a realidade.
Su sentiu os olhos ficarem húmidos, pensar que um dia deixaria de estar com ele, de ver Timy, partia-lhe o coração. Rita agarrou a mão da amiga, tentando dar-lhe animo. Su nunca deixou outro homem chegar perto dela, e Rita tinha medo que ele parti-se o coração da amiga.
- Isso pode nunca acontecer. Ele pode...
- O quê?! Estar apaixonado por mim?! Tanto que me pediu em casamento - quando viu que Rita estava e ficar eufórica, fez sinal à amiga que esperasse - para dar uma mãe a Timy.
- E que disseste?! Disseste sim?!
- Claro que não! Não era capaz de me casar sabendo que não me ama.
- Muitas pessoas casam sem amor.
- E como acaba?! Cada um para seu lado. Não, nunca seria feliz sabendo que não me ama, e quando ele saísse, ficava a pensar que estava com outra mulher.
- Mas se pediu!
- Pediu por pedir, eu estava ali, podia ser outra qualquer. Ele apenas quer uma mãe para Timy. Tu melhor que eu, conheces o tipo de mulher que ele costuma sair. Sensuais, bonitas, elegantes. Não tenho nada que o cative, não definitivamente. Nunca chegarei aos pés delas.
- Pois!
- Sim... pois!
Despediu-se da amiga, passou rapidamente no cemitério e foi directamente para casa, não tinha cabeça para andar no centro comercial. Ele e Timy estavam na sala a encaixar peças num bloco de figuras.
- Bola! - Timy tentava encaixar o círculo no espaço livre
- Não. É um círculo! - Michel agarrou uma bola - Isto é uma bola.
- Mãe. - Timy mostrou-lhe o círculo- Bola!
- Não! Olha...
- Nunca vais fazer que diga círculo. Ainda é muito pequeno.
- A especialista és tu. - Parecia feliz por vê-la, deu-lhe um breve beijo - Voltas-te cedo.
- Sim, toma.
Su deu-lhe a revista e manteve-se em silêncio enquanto ele via a fotografia.
- Incomoda-te?
- O quê?! Aparecer na revista?! Se não fosse a pulseira nem sabia que era eu! Mas podias tentar explicar que...
-Explicar?! Nunca prestei contas da minha vida privada. Não vou começar agora! Aliás, quem lhes disse que podem opinar sobre a minha vida?! Qual a parte da palavra privada que eles não compreendem?! A minha vida privada só me diz respeito a mim! A mim e a ninguém mais! Raios! Não se cansam!
Su permaneceu calada perante a explosão dele, seguiu-o com o olhar enquanto ele foi deitar a revista no lixo. De repente olha para ela, e fica uns instantes a olha-la, como se só nesse momento, desse pela presença dela. Su notou o esforço que fez para sorrir, passou a mão pelo cabelo e respirou fundo.
- Desculpa. - Abraçou-a - Esta gente acha que, só porque tenho dinheiro, tenho de dizer tudo o que faço. Estou farto de mentiras.
- Se são mentiras, porque não contas a verdade?
- Não é assim tão simples. - Beijou-lhe a testa - Vamos esquecer isto. É melhor.
Não compreendia porque ele ficava assim quando se falava nos jornalistas, sempre pensou que os ricos estavam habituados a serem fotografados, a fazerem manchete nas revistas. Mas Michel não gostava.
Continuaram a sua vida como sempre, duas vezes por semana saíam com Timy, escolhiam um jardim afastado e passavam o dia ao ar livre. O resto do tempo permaneciam em casa. Não concordava com aquela maneira de viver, achava que o menino devia de ter mais contacto com outras crianças. Embora brinca-se com algumas, quando saíam, ela achava que ele se retraía no contacto com as demais crianças.
Ela tinha receio, do dia em que Timy fosse para a escola. Bem, possivelmente ia para uma privada, onde estaria rodeado de meninos e meninas, ricos como ele. E nessa altura, talvez ela já estivesse longe da vida deles.
A campainha soou, Timy, que tinha dormido mal, adormeceu no sofá. Su correu a abrir. Ele precisava de descansar e Michel estava ao telefone.
- Olá. Posso? - Uma loira de olhos verdes, deu-lhe um beijo na cara e entrou em casa - Michel está?
- Sim, está no escritório. Vou dizer-lhe que...
- Oh, não. Obrigada, eu sei o caminho. Quero fazer-lhe uma surpresa.
Ela já estava surpreendida, quem era aquela simpática mulher?! Que ela conhecia a casa, isso era evidente. Agora, o que pretendia a esta hora da manhã...

Sou recem-chegada aqui, como sabes, mas acho que vou adorar continuar por cá só por esta amostra! Adoro a forma como escreves. Beijinhos
ResponderEliminarelisaumarapariganormal.blogspot.pt
Olá, como podes ver é um blogue diferente... Espero que gostes, há muitas historias espalhadas ;) Obrigada :) Beijinhos <3
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