DESTINOS CRUZADOS 6ª PARTE
- Lia! - Michel estava agradavelmente surpreendido - Que fazes aqui?!
- Que faço?! Vim verificar com os meus próprios olhos, se o meu noivo está a viver um tórrido romance! Ao menos tiveste a decência de o fazer antes do casamento.
Su sentiu que lhe tiravam o chão debaixo dos pés! Noivo?! Ele estava noivo e não lhe dissera?! Ela não parecia muito chateada, pelo menos, quando entrou não o demonstrou! Subiu as escadas com as pernas a tremer. Ele estava noivo, e a noiva estava ali, o que fazia?! Não podia continuar a dormir com ele. Porque não lhe disse que estava noivo? Porque escondeu isso dela? A resposta martelava na sua cabeça... Porque os homens não olham a meios para conseguir o que querem! Repetira esta frase tantos anos, como foi possível que a esquece-se?! No fundo ele não era diferente de Martim, era mais atencioso, mais galante e sedutor, mas um homem! O coração ameaçou saltar do peito, a sua cabeça parecia rebentar. Precisava pensar na forma de sair dali, mas primeiro tinha de se acalmar... só conhecia uma forma de se acalmar rapidamente. Despiu-se e abriu a água do chuveiro. Deixou que água a acalma-se, pensou que ia chorar até não aguentar mais, mas não foi assim. Nem a insuportável dor, que lhe trespassava a alma e o coração, conseguiu que derrama-se uma lágrima. Mas conseguiu organizar a sua cabeça.
Enrolou-se numa toalha e começou a tirar a roupa para cima da cama. Não podia ficar, não conseguia suportar a ideia de ele estar com outra mulher, mas antes de partir tinha de resolver a questão de Timy. lembrou-se do contrato, tinha-o em casa. Tinha de consultar um advogado... Que estava a fazer?! Voltou a arrumar as coisas, se ele desse pela falta delas ia fazê-la cumprir o contrato, ou pior, exigia saber qual o motivo de ela querer deixá-los.
- Estás aqui. - Michel entrou e voltou a fechar a porta do quarto - Porque usaste esta casa de banho?!
Não pensou nisso, porque não usou a casa de banho dele?! Ficou a olhar para ele, sem saber que responder. Precisava de tempo, de uma resposta...
- O quê?!
- Esta casa de banho, porque a usaste? - Ele olhava para ela com os olhos semicerrados
- Por nada, julguei ouvir barulho na outra. Timy?
- Ainda dorme. - Aproximou-se dela, e beijou-lhe o ombro - Quando te vejo assim só penso em levar-te para a cama.
- Tens visitas. - Su baixou o olhar.
- Lia não é visita, e está a pensar em ficar dois dias.
- Então, vou telefonar para colocarem lençóis lavados.
- Vais telefonar?! Vais sair?
- Sim, queria ir ao cemitério. Sabes que ando para ir à dias, ainda não consegui.
- Não podes ir noutro dia?
- A minha avó fazia hoje anos. Quero ir hoje.
- Muito bem, eu cuido de Timy.
- Obrigada.
- Su?! - Ele esperou que ela o olha-se nos olhos - Está tudo bem?!
- Sim. Porque não haveria de estar?! - Esticou-se e deu-lhe um beijo, as lágrimas que não queriam sair anteriormente ameaçavam começar a cair. Soltou-o e fingiu procurar algo no roupeiro.
- Então vai lá.
Su ficou de costas e permaneceu no mesmo lugar até que ele fechou a porta. Vestiu-se e colocou um pouco de maquilhagem para dissimular o ar abatido. Quando desceu, Lia estava sentada junto a Timy, que ainda dormia. Inclinou-se sobre ele, deu-lhe um beijo na testa e acariciou-lhe a carinha redonda, iria ter tantas saudades dele, fechou os olhos, tinha que sair dali antes que começa-se a chorar.
Despediu-se de Lia, a voz dele chegava até ela, olhou na direcção do escritório e sorriu tristemente! Antes de fechar a porta ainda ouviu Lia despedir-se dela.
No caminho até casa, pensou em quem a poderia ajudar, tinha poucos amigos. Bem, amigos com quem contar, só Rita. Telefonou-lhe e disse que passaria mais tarde por casa dela. Apanhou o contrato e foi consultar um advogado.
- Realmente, a menina assinou um contrato onde se compromete a não abandonar o menino sem uma razão válida. - O Dr. Ree lia e relia o documento - Pode dizer-me porque quer deixar o emprego?
Disse tudo, sem entrar em detalhes, o Dr, anotava uma ou outra coisa esporadicamente. Quando ela terminou. Pousou a caneta e entrelaçou as mãos.
- Não tenho saída, pois não?
- Tudo tem solução. A menina está a pensar deixar o país?
- Sim, por uns tempos. Há problema?!
- Oh não, certamente tem alguém que pode ficar a cuidar dos seus interesses...
- Sim, tenho uma amiga, ela...
- Pode dizer-me o nome completo dela? - O Dr Ree interrompeu-a e começou a escrever. - Pode continuar, estou a ouvi-la.
- Bem, quero ir para fora, mas penso regressar. Isto se não colocar a minha amiga em problemas.
- Compreendo. - Estendeu-lhe uma folha - Assine aí nessa linha.
- Isto é...
- Uma procuração, está em nome da sua amiga. Na sua ausência ela pode resolver tudo o que lhe diga respeito, e isso incluí esta situação. Convém que não lhe esconda nada, para que ela possa tratar das coisas da melhor forma.
- Mas...
- Se precisar, o que duvido, pelo que me contou sobre ele, e assim o entender, estou aqui para a ajudar.
- Se tiver de pagar uma indemnização, não tenho como lhe pagar.
- Apenas me vai pagar, caso eu faça algo. E acredite, nunca perdi um caso.
Agradeceu ao Dr Ree e foi ter com Rita. A amiga estava boquiaberta com toda aquela situação.
- Devias de lhe dizer porque te vais embora. Quando vir que tiras-te as tuas...
- Por isso deixei lá tudo. Não posso dizer-lhe o motivo da minha partida.
- E porquê?!
- Porque teria de admitir que o amo. Era humilhante demais.
- E Timy?
- Já tratei de tudo, falei com Missy e ela pode cuidar dele, se Michel quiser.
- E como pensas comunicar esse pequeno pormenor?!
- Deixei uma carta, onde lhe indico Missy como ama e que ela está disposta a começar amanhã se ele assim o entender.
- E tu que vais fazer?!
- Viajar, fazer o que sempre quis e nunca fiz. Por falta de tempo, por medo... Vou começar por França, a minha avó dizia que é um país lindíssimo.
- Mas, se deixas os cartões e tudo isso como fazes?! Amiga, não estou a gostar disto.
- Fui ao banco e levantei o dinheiro suficiente para o tempo que estiver em França. Depois, sigo para Espanha, e penso trabalhar para viver. Prometo telefonar e escrever, com frequência.
- Vais de avião?
- Não de comboio, sempre quis andar de comboio. Podes levar-me à estação?
- Claro. Quando quiseres.
- Que tal agora?
- Promete dar noticias. - Rita relutava em deixar a amiga - E cuida-te.
- Prometo. Não te preocupes, ainda hoje vou telefonar-te.
A viagem de comboio relaxou-a e acabou por fazer amizade com um homem, um pouco mais jovem que ela. Estava de visita aos tios em Annecy, ele contou-lhe que Annecy é um município da região Rhône- Alpes, fica entre os maciços Bornes e Bauges, e é a capital do departamento francês de Alta Saboia. Annecy é frequentemente chamada de Veneza dos Alpes. Su achou que ia adorar conhecer a cidade e aceitou o convite dele de lhe mostrar a cidade.
Três dias depois deixou Annecy, despediu-se do seu companheiro de viagem, e apanhou o comboio até Nice, a segunda maior cidade Francesa, foi ali que nasceu o imperador Cláudio. Apaixonou-se pela fonte Lafayette, e pelos parques. O seu favorito era Des hauteurs park, conseguiu um hotel perto e era ali que fazia as caminhadas.
A manhã estava fresca, fechou o casaco e começou a sua última caminhada ali. Um grupo de crianças corria mais à frente. Sorriu para eles, uma delas passou por ela a correr e esbarrou nela, atirando-a ao chão.
- Excuzes moi.
Ainda o ouviu gritar antes de cair.
- Vous allez bien? - Um senhor de meia idade veio ajudá-la a levantar-se.
- Oui, merci.
Sorriu para ele e continuou a caminhada, mas ficou com uma sensação estranha no estômago. Lembrou-se que não tinha comido, mas aquela sensação não passou com o pequeno almoço, apenas aliviou um pouco.
Sentia-se estranha, com algum desconforto abdominal, olhou a sua agenda e verificou as datas, ainda faltava algum tempo. Arrumou as poucas roupas que tinha na mochila e partiu.
Collioure esperava por ela. Ficava junto à costa, sendo procurada por muitos turistas. A poucos kilometros estava a fronteira espanhola, o seu próximo destino. Mas agora, apenas queria descobrir Collioure...
O comboio parou, respirou profundamente, aspirando aquele ar puro e fresco. Colocou a mochila ás costas e dirigiu-se ao hotel. Caminhou alguns metros para o encontrar, mas valeu cada passo. Estava cansada, depois de tomar duche deitou-se. Adormeceu a pensar em Michel e em Timy. Sentiu as faces ficarem molhadas, fechou os olhos e deixou-se embalar pela tristeza.
Quando acordou a tarde estava a meio, perdera a hora do almoço. Decidiu sair e lanchar numa das esplanadas por que passou nessa manhã. Collioure era adorável, as pessoas eram muito amigáveis e prestativas.
Passou por um dos parques e começou a descer a pequena escadaria que dava ao porto, algumas pessoas passeavam tranquilamente.
- Michel!
Alguém chamou, o sotaque era italiano, sentiu-se gelar, voltou-se rapidamente e acabou por cair o resto da escadaria. A vozes aproximavam-se, uma mistura de sotaques chegavam até ela... tentou abrir os olhos, um vulto masculino curvou-se sobre ela. O peso nos olhos era enorme, queria dormir... mas a voz não deixava.
-Ciao bella. - Sentiu-o a mão acariciar-lhe a cara - Aiutare,lei ha cominciato a perdere sangue.
Estava a perder sangue?! Possivelmente, tudo lhe doía, apenas queria dormir...

A passar por aqui para acompanhar :)
ResponderEliminarBeijinho
Olá Elisa, só hoje vi que me está a acompanhar. Peço desculpa por não lhe ter respondido antes. Obrigada pela companhia :) Beijinhos <3
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