DESTINOS CRUZADOS 11ª PARTE
Lia e Nina levantaram-se ao vê-los. Michel mantinha a o braço na cintura dela, e não o retirou quando chegaram junto a elas. Su pensou explicar a Nina toda aquela incómoda situação, mas Nina avançou para eles de sorriso aberto.
- Ainda bem que resolveram tudo! Não sabes como estou aliviada. - Abraçou Su - Devia de ter associado tudo, a tua queda ao ouvires o nome dele, e aqueles olhos negros... Enfim!
- Peço desculpa, não era... - Su estava envergonhada.
- Não precisas explicar. - Nina interrompeu-a - Têm coisas mais importantes a resolver. Michel foi com Caterine ao jardim.
- Eu sempre te disse que tanto secretismo, um dia dava em confusão. - Lia olhava divertida para Michel - E podia ter corrido mal!
- Quem ia imaginar que me ia apaixonar?! - Michel deixou Su ao ver a sua filha - Achas que...
- Não acredito! - Lia estava admirada - Estás com medo da tua filha?!
- Um pouco assustado, confesso! - Caterine chegou perto deles, e ficou a olhar o pai. - Olá.
- Caterine, diz olá. - Su pegou a filha ao colo, e ela estendeu a mãozinha em direcção à face dele, Su arrepiou-se ao ver a emoção nos olhos de Michel - Caterine, este é o teu pai.
- Olá pai! - Caterine disse a pequena frase com a maior naturalidade, como se a dissesse desde que começou a falar. Mas para eles estava cheia de significado, era o início de um novo ciclo.
Abandonaram a festa algum tempo depois. Agradeceram a hospitalidade a Nina e Michel, e foram para a que seria a sua nova casa. Caterine adormeceu no curto trajecto até casa, Michel insistiu em ser ele a deitá-la, Timy dormia profundamente, nem deu pela presença deles no seu quarto.
- Amanhã temos de tratar do quarto de Caterine. Não pode ficar a dormir com Timy. - Michel sussurrava ao fechar a porta do quarto - Agora nós. Onde ficámos mesmo?! Ah, já sei... Estava a beijar-te.
E Su recebeu aquele beijo como se fosse o primeiro que trocavam.
- Agora que estamos confortáveis podes começar. - Michel beijou-lhe o ombro nu - Quero saber, como fugiste ao detective que estava a vigiar a tua casa. Nem deu pela tua partida no dia seguinte.
- Talvez porque fui nessa mesma tarde.
- Mas como?! Liguei para todos os aeroportos! - Michel apoiou a cabeça na mão.
- Fui de comboio. - Su fechou os olhos uns instantes - Quando ouvi Lia dizer que estavam noivos, senti que me tinham espetado uma faca no coração. Só pensei em sair dali, mas Timy, precisava de mim...
- Desculpa. - Michel interrompeu-a - Só para ficar ciente, essa dor no coração, esse desejo de me abandonares, era porque me amavas. Certo?!
- Sim...
- Podes continuar, torna-se mais fácil assim. Saber que me amas. É que não o mencionaste.
- Amo-te desde que abalroas-te o meu carro!
- Isso é discutível... mas não desvies a conversa. - Michel beijou-lhe o peito - Já é tortura suficiente estar a olhar para ti assim, sem roupa...
- Como estava a dizer, Timy precisava de mim, mas não podia ficar ali, vendo como te casavas com Lia, falei com Missy para que cuidasse de Timy e pedi ajuda a Rita.
- Rita?!
- Uma amiga, ela é como uma irmã. E a madrinha de Caterine. Fui a um advogado, e fiz uma procuração para Rita, parti essa mesma tarde, deixando tudo em tua casa, não queria que desconfiasses.
- Mas Lia notou.
- Notou?!
- Sim. Ela comentou que estavas estranha ao despedir-te de Timy, que parecia que estavas a dizer adeus para sempre. Mas relevei a situação, era o aniversário da tua avó.
-Sim. - Su mexeu-se incomodada, recordar aquele dia, magoava-a - Fui para França, no último dia que lá estive, ouvi uma voz italiana a chamar-te. Bem, nessa altura pensei que te chamavam. Voltei-me de repente e cai pelas escadas. A última coisa que me lembro é de um homem, que jurava seres tu dizer-me: Cara mia. E depois falou em sangue. Acordei ligada ás máquinas numa clínica. Foi aí que soube que estava gravida. Queria contar-te, acredita. Mas não queria que te sentisses obrigado a nada. Não suportaria que estivesses comigo por obrigação.
O olhar dele escureceu, e ele deitou-se a seu lado a olhar o vazio.
- Sabes que te procurei por meses?! Não queria voltar sem ti. Mas tive de regressar, a minha viagem a Inglaterra tinha data de volta marcada. Ia ficar apenas o tempo necessário para tratar das coisas de Timy.
- Porque deixas-te que pensassem que não o querias?
- Porque ninguém tem nada que ver com isso. - Sentou-se na cama - Detesto a imprensa cor de rosa, de rosa pouco tem, alimenta-se de mentiras e intrigas. Arruinou a vida do meu pai... ele conheceu a minha mãe numa viagem, foi amor à primeira vista, nos meses que ele esteve em Inglaterra eram inseparáveis, todos os momentos eram poucos para estarem juntos. A minha mãe sempre soube que ele estava noivo, mas ele amava-a a ela. O casamento com a filha de um magnata Italiano, estava marcado e ele não podia desmarcar, ela era uma mulher doente, e estava apaixonadíssima por ele. Ela sabia da existência da minha mãe e não colocou qualquer obstáculo, ela não podia dar ao meu pai o que se esperava de uma companhia feminina. Ela soube do meu nascimento, chegou mesmo a visitar-me quando vinha ao médico. Ao contrário do que dizem, nunca me faltou nada. A esposa do meu pai apenas pediu que fosse discreto, ela queria morrer em paz, ao lado do homem que ela amava. Mas a imprensa descobriu e fez a vida do meu pai, e da esposa dele num inferno. Com especulações sobre tudo, ele bem se defendia, pois nessa altura a minha mãe, viu-se tão assediada, que lhe pediu, para não a procura-se mais, que só o fizesse depois de estar livre. Mas torceram tudo o que ele disse, esmiuçaram todos os pormenores. Apareciam em qualquer esquina, para tentar uma fotografia do filho ilegítimo do grande milionário. Ele voltou depois de ficar viúvo, mas a minha mãe já tinha falecido à dois anos.
- Sinto muito. - A voz de Su estava entre-cortada pela emoção
- Fui viver com ele com dez anos, estava completamente alheio naquele mundo. Lia foi o grande suporte. Com o passar dos anos tornámos-nos inseparáveis. Lia estava apaixonada pelo filho do mordomo, mas os pais não aceitaram tal desaforo. Com a imprensa sempre colada a ela, apareciam em todas as revistas, e os pais dela enviavam-na pelo mundo fora, para a manter afastada do jovem pretendente, como os pais insistiam em proibir, fingiram o fim do namoro, e começaram a encontra-se em casa de Nina. Como saíamos muitas vezes, as fotografias de nós dois tornaram-se frequentes. Especulou-se logo o namoro e depois o noivado. Não confirmámos nem desmentimos, mas o efeito foi o pretendido, os pais de Lia deixaram de a incomodar e deram-lhe mais liberdade. A mim não me incomodava estar noivo dela, tinha as mulheres que queria, mas a nenhuma dava a suficiente importância para ter de me justificar. À muito tempo atrás jurei que nunca iria justificar os meus actos a quem não tem nada que ver com isso. Quem se importa se vou ao cinema ou a comer ao restaurante mais chique da cidade?! A minha vida privada, é um assunto meu. Quando os pais de Timy morreram, fui contactado pelo advogado. Mas não me podia ausentar, o meu pai estava muito doente. Como era imprescindível a minha presença, fui por uns dias, para tratar da adopção, e dos trâmites legais. Foi nesse dia que te conheci. O advogado não meteu a petição no tribunal, o meu pai piorou, e para ajudar tinha abalroado o carro a uma mulher resingona!
- Resingona?!
- Se soubesses como desejei beijar-te ali à chuva. - Michel voltou para a cama - Tu, gritavas que a culpa era minha, e eu só conseguia pensar em como estavas sensual, com a roupa colada ao corpo pela chuva.
- Devia de estar linda.
- Estavas absolutamente fabulosa. Depois de te deixar pensei em ti toda a noite. Tinha de voltar a ver-te. Nunca desejei tanto uma mulher... confundias-me. Ora estavas suficientemente perto ora estavas completamente fora do meu alcance. - Abraçou-a - Não queria, mas tinha de voltar para casa, o meu pai estava a falecer. Deixei o advogado a cuidar de tudo, e quando voltei para Inglaterra já estava decidido, não regressava a Itália sem ti. Precisava de um plano, e urgente. Tinha de descobrir que te tinha acontecido, essa barreira, que construíste entre ti e o resto do mundo, tinha de ter uma razão. E estava disposto a derruba-la.
-O facto de estar a cuidar de Timy ajudou aos teus planos.
Su entendia o porque de quase tudo, menos o motivo de ele nunca ter usado protecção quando faziam amor. Não gostou de o ouvir falar da mulheres que teve e muito menos de saber que tinha as que queria, os ciúmes apoderaram-se do seu coração, e chegaram aos seus olhos.
- Claro que sim, lembras-te de te dizer que o nosso destino estava cruzado?! Não tinhas como fugir de mim.
- Assim como estava cruzado com as outras mulheres que tiveste?! - Su baixou a vista, a dor estava espelhada nela.
- Elas pertence ao passado, não interessam. Tu és a única mulher que quero, hoje e sempre. Acredita, amo-te. Não estive com outra mulher depois de te conhecer.
- Acredito. - Sabia ser verdade, o brilho dos seus olhos confirmavam-no - Dizes que precisavas de um plano, ele passava por nunca usar protecção quando estávamos juntos?!
- Não precisava! Isso é para ocasiões de uma noite. Tu não eras para uma noite. Sabia que te amava, bastava que tu também o reconhecesses. Mas estavas a descobrir sensações novas, que tive todo o prazer em ser eu a proporcionar-tas. Não queria que te assustasses e fugisses. Sabia que te amava, e tinha a certeza que lá no fundo tu sabias isso.Restava-me esperar que admitisses o teu amor por mim.
- Devias de ser mais especifico... Não tenho a tua experiência.
- Não?! Ninguém diria! Estive três vezes em Inglaterra e nunca te encontrei, via as flores na campa da tua avó e ultimamente na dos pais de Timy, sabia que eras tu. Mas quando fui a tua casa não estavas, estava lá uma mulher que disse que te tinhas mudado.
- Rita. É a minha amiga.
- Bela amiga, sim senhor! Está uma pessoa a desfalecer de amor, e ela não se sente condoída?!
- Ei! A amiga é minha, estava a zelar pelos meus interesses.
- Pensei que te tinha perdido para sempre, estava desesperado. Ultimamente nem tenho saído de casa. Nem queria ir a esta festa hoje, mas Lia insistiu, e quando ela me disse que estavas ali, que eras a visita de Nina...Não imaginas a mistura de sentimentos que senti! Queria beijar-te e matar-te ao mesmo tempo, por me teres feito sofrer estes meses todos. E quando vi a minha filha?! Meu Deus! Não consigo descrever o que senti. Lia disse que quando visse a tua companhia, ia perceber, e tinha razão. Não precisavas de dizer nada, sabia que era minha.
- Parece que não adiantou andar a fugir de ti.
- Eu avisei-te. Os nossos destinos estão cruzados.
- E não há como fugir.

Como sempre gostei muito do que li. Cada vez estás a escrever melhor, mas eu sou suspeita pois sou uma romântica incurável.
ResponderEliminarOlá Pocahontas :) Obrigada, fico feliz por gostares. Eu também sou romântica, e assim como tu incurável. Mas isso já se percebeu <3
EliminarBeijinhos