MEDO DE AMAR 6ª PARTE
Nessa manhã, Bea estava com dor de cabeça. Consequências de uma noite sem dormir. Precisava de um duche para aliviar a dor, enquanto a água morna corria pelo seu corpo, encontrou a solução perfeita, assim pensou, mas quando lho disse, ele não pareceu muito satisfeito.
- Mudar-me para a casa principal?!
Max não mostrou qualquer expressão que demonstra-se o que sentia, o que para ela, significava que não estava de acordo.
- Claro, será perfeito. Não precisamos de nos encontrar na calada da noite, e podemos estar juntos todos os dias.
- Olha, não me agrada a ideia de te servir de consolo quando queres.
- Que queres dizer com isso?! - Bea não queria acreditar, ele não queria estar com ela?!
- Que não gosto de ser usado.
- Estás a dizer que não queres estar comigo?!
- Não foi isso que disse, prefiro estar no anexo e poder escolher, entre estar sozinho e estar contigo, isto, sempre e quando tu também quiseres.
- Se fores tu a decidir está bem, mas se for eu estou a usar-te?! E isso?!
- Simplesmente gosto de decidir sobre quem meto na minha cama, ou em que cama entro.
- Podes dormir noutro quarto... - Falava muito baixo, percebeu que estava a rebaixar-se, tentava arranjar uma solução para o argumento que ele dava. Nunca tinha feito isso com César, nem com Mike. Aquilo não passava de uma atracção sexual, porque se estava a incomodar com o facto de ele não querer ir morar com ela?! Precisava mudar de atitude - Olha, tens razão. Se mudares de ideias...
Saiu do escritório, sentia uma vontade idiota de chorar. Porque a estava a afectar tanto aquilo?! Deitou-se e chorou até adormecer. Acordou com o relinchar de um cavalo, meio ensonada foi até à janela, Jim escovava um dos cavalos novos. Procurou Max com o olhar, a sua busca foi interrompida por uma chamada do advogado da sua falecida tia, como estava sozinho, não podia ausentar-se dos escritórios, e precisava que ela fosse assinar uns papéis.
Mesmo sem vontade, vestiu-se e saiu, sentia-se apática, sem vontade de nada. Nem sabe como chegou à cidade, a sua cabeça estava ocupada com a conversa que teve com Max, e ali permaneceu durante a conversa com este.
Fez um esforço, para se concentrar na conversa dele, quando terminaram convidou-a para beber chá. Aceitou, pois seria de má educação recusar. Quando estavam na pastelaria, viu Max no outro lado da rua, estava com uma mulher, o seu coração bateu mais rápido, lutou contra a vontade de ir até lá. Estavam a abraçar-se?! Ali em plena rua?! O abraço parecia intimo a mais! Naquele instante, o advogado chamou a sua atenção para escolher o chá que queria. Depois de dizer que preferia café, o advogado voltou à conversa que tinha interrompido, e ela voltou a concentrar-se no outro lado da rua. Viu-o subir para o jipe e partir, a mulher ainda permaneceu ali algum tempo, observou-a com atenção, era mais baixa que ela de cabelo loiro, não era propriamente bonita nem elegante. Mas tinha o seu charme. As curvas voluptuosas e os seios fartos...
- Certamente terá mais que fazer... - O advogado tocou-lhe a mão.
- Desculpe, estava a pensar noutra coisa. Estava a dizer?!
- Esqueça é um completo disparate. - Olhou o relógio - Bem, tenho um cliente agora, depois entrego-lhe a copia do testamento.
- Obrigada.
Deixou a pastelaria e conduziu com alguma agressividade, geralmente aquilo aliviava-lhe o stress. Mas desta vez não estava a resultar. Apetecia-lhe dizer-lhe das boas, descarregar toda aquela raiva, ele não estava a ser correto, embora gostasse de sexo, sempre foi fiel a Mike e depois a César, bem, se tira-se os beijos. Isso não contava! Agora percebia porque ele relutava em ir viver com ela, tinha namorada! Porque não o disse?! Mas se pensava que a levava por idiota, estava enganado.
Assim que chegou à herdade, como Max estava no pasto sul, pediu a Jim que o chamasse.
Enquanto aguardava, andava de um lado para o outro, nervosa. Sentia-se enganada, se bem que ele nunca lhe tinha prometido fidelidade! Mas se estava com ela, ela exigia isso mesmo! Aliás, era a única coisa que exigia! Raios, porque é que ele a afectava tanto?! Agarrou num solitário que estava na mesa, e atirou com ele à parede. Sentiu-se melhor momentaneamente, tinha de arranjar forma de aliviar o stress.
Estava a limpar os vidros quando ele entrou.
- Querias... - Ele fez uma pausa, observando a cena - Mas que se passou aqui?!
- Nada de mais. Partiu-se, as coisas partem-se.
- A julgar pela marca na parede não me parece que seja acidental. - Ele tirou-lhe os vidros da mão e depositou-os no lixo - Está tudo bem?!
- Sim. - Encarou-o - Fui à povoação.
- E?! - Olhou-a aguardando
- Estavas com outra mulher. - A voz começou a tremer
- Outra?! Como outra se não tenho nenhuma?!
- Não tens?! E eu?! - Aquelas palavras pareciam fogo a arder no seu coração - Quando tenho uma relação com um homem, sou fiel, e espero o mesmo da parte dele.
- Acho muito bem! - Max disfarçou um sorriso - Mas não sabia que estávamos juntos. Que tínhamos uma relação.
- E que chamas ao que temos?! Desejas-me assim como eu te desejo, dormimos juntos quase todos os dias, não todos porque tu não queres, e se...
Max calou-a com um beijo, ela ainda tentou afastá-lo mas desistiu de o empurrar. Segundos depois lutavam contra as camisas um do outro.
- Ainda queres que venha viver contigo?! - Max perguntava entre beijos - Não te incomoda que falem de ti?
- Quero sim, e que falem o que quiserem - Puxou-o novamente para si. - Quem é aquela mulher?!
- Ninguém importante. - As mãos dele brincavam com os seus peitos - Não da forma que tu imaginas.
- Então, cala-te e beija-me.
Por uns minutos entregaram-se aos beijos e esqueceram toda aquela confusão. Max deixou-a sozinha depois de lhe prometer que essa mesma noite iria mudar-se.
Duas semanas depois de Max se ter mudado para a casa principal, começaram as obras no celeiro e a construção do refeitório. O projecto avançava com grande velocidade, e como as tarefas se iam multiplicando, Jim tornou-se o braço direito de Max, deixando-o mais disponível para ajudar Bea.
A cumplicidade entre eles era evidente, já não se coibiam de trocar caricias, estas acabaram por se tornar mais frequentes, mesmo diante dos homens que trabalhavam na herdade. A relação deles parecia natural aos olhos de todos.
Max vestia-se debaixo do olhar atento dela, não se cansava de olhar para ele, era perfeito. Ajeitou o lençol, e suspirando olhou o sol que nascia, iluminando toda a herdade.
- Não vais sair daí?! - Max devolveu-lhe o sorriso
- Mais tarde, quero aproveitar mais um pouco.
- Não te esqueças que hoje tens de fazer as entrevistas.
- Sim senhor! - Ela ajoelhou-se na cama e o lençol caiu-lhe deixando a descoberto o corpo nu - Não me vou esquecer.
- E tapa-te mulher antes que me arrependa e volte para aí.
- Promessas... só prome... ai!
O corpo dela cedeu ao peso do dele, entre beijos e caricias rolaram na cama. Algum tempo depois, Max vestia-se novamente. Nunca se iria cansar dele, não sabia como, mas tinha a certeza disso. Ele era diferente, não a pressionava, nem exigia nada dela. Durante o dia trabalhavam lado a lado, discutindo ideias e muitas vezes chegavam a estar em desacordo, mas à noite tudo isso era deixado para trás e desfrutavam da companhia um do outro. O que a deixava mais feliz, era o facto de não ter de esconder o muito que o desejava. Podia ser ela própria, sem hipocrisias, sem julgamentos.
No dia da apresentação ela não queria ir, preferia ficar ali com ele, mas sabia que tinha de ir, Cristal contava com ela para a descrição das jóias durante o desfile.
Como Max aceitou o convite de Ryana, saíram mais tarde da herdade, chegaram a tempo de ir ao hotel mudar de roupa e foram directamente para o desfile.
Bea não se cansava de olhar para ele, o fato preto e a camisa preta realçavam o peito forte dele. Quando ele deixou a roupa em cima da cama, ela achou aquela escolha estranha, mas agora achava que lhe dava um ar felino, um pouco perigoso e muito sensual.
Ela escolheu um vestido verde seco, comprido e sem costas, apanhou o cabelo no alto da cabeça com uma faixa decorada com pérolas brancas, um desenho da sua última criação.
Ryana aguardava por eles na entrada, Bea dirigiu-se aos vestiários para designar as jóias ás modelos. A apresentação foi um êxito, depois do desfile, durante o convívio com os convidados, surgiam as perguntas do costume e alguns pedidos das peças personalizadas. No meio de felicitações, Bea viu-se arrastada novamente por Cristal, para a mini conferencia com alguns jornalistas convidados, deixando Ryana com Max. Lá de cima procurou Ryana, mas esta já tinha desaparecido, assim como Max. Ryana voltara a fazê-lo, na hora de dar a cara, desaparecia, dando a entender que todo aquele trabalho se devia única e exclusivamente a ela.
Durante a viagem de volta ao hotel, a conversa girava em volta do novo projecto, Ryana que estava curiosa com tudo aquilo, prometeu ir com Frank esse fim de semana. Depois de deixarem a amiga em casa voltaram para o hotel, Max adormeceu logo, mas Bea,estava muito agitada, como sempre depois de uma apresentação, e teve dificuldade em adormecer.
Acordou com o bater na porta, o barulho da água deu-lhe a entender que Max estava no duche, saiu da cama calmamente, pensando que fosse Ryana. Mas ficou admirada quando viu César.
- César?! Não esperava ver-te.
- Imagino que não. Posso?!
- Preciso de tomar um duche, estou de saída. - Pensou que aquilo era suficiente para que abandona-se a ideia de entrar.
- Soube que estás com o teu empregado. - César entrou mesmo assim.
- Max não é meu empregado. - Irritou-a a forma como ele se referiu a Max.
- Não, claro que não. Imagino que seja algo mais. Ainda estás a tempo. - César falava calmamente, quase sussurrando - Sabes que te amo e... - calou-se a ouvir um barulho no quarto de banho - Ele veio?!
- César...
- Já pensas-te no interesse dele em dormir contigo? Que talvez queira o teu dinheiro?!
- E se assim for?! Não é assunto que te diga respeito.
- Depois, não digas que não te avisei.
- Chega! - Gritou - Sai daqui.
- Não pensas-te nisso pois não?! - César encaminhou-se para a porta - Quando ele te deixar sem nada continuarei aqui, à tua espera.
E saiu fechando a porta, deixando-a abismada. Ainda estava atordoada com a visita quando Max saiu.
- É isso que tu pensas?!
- Desculpa?! - Bea não queria acreditar no que estava a ouvir. - Não chega César?! Também vais começar com conversas idiotas?
- Responde. - Max agarrou-a pelos ombros e obrigou-a a encará-lo - É isso que pensas?!
- Claro que não!
Bea passou os braços pelo pescoço dele e deu-lhe um beijo, pensando que se ele queria o seu dinheiro ela não se importava, sempre e quando pudesse estar com ele. E ter a certeza disso assustou-a, e algo mudou no beijo, porque Max notou a diferença.
- Que se passa?!
- Apenas dormi mal. Nada, que um bom duche não resolva.
Bea deixou correr a água pelo seu corpo, mas estava estática, percebeu que Max ocupava um lugar importante na sua vida. E ela não estava preparada para isso, para esta dependência dele.
- Estás aqui à mais de vinte minutos - Max abriu a porta do chuveiro - Queres ajuda?
- Podias ter vindo mais cedo - Estava tão sensual com a camisa azul e as calças pretas, que esqueceu os receios que tinha - Agora já acabei.
- Mas venho a tempo de te ajudar a secar.
Max enrolou a toalha no corpo nu dela, o leve toque da mão dele na sua pele foi o suficiente para despertar o desejo nela. Abriu a toalha e deixou-a cair.
- Achas que preciso de uma segunda lavagem?! - Encostou o corpo nu a ele - Que dizes?!
- Acho melhor ver mais de perto...
Bea ajudou-o a despir a camisa e acariciou o peito dele, a respiração dele acelerou. Max aprofundou o beijo e encostou-a à parede, os beijos estenderam-se ao corpo nu dela que estremecia de desejo. Fechou os olhos e entregou-se àquele momento, apenas os abriu quando ele a elevou à altura da sua cintura e a apoiou entre a parede e o corpo dele. Colocou as pernas ao redor da cintura dele, aceitou-o dentro dela. Com os braços no pescoço dele, o corpo dela seguia os movimentos impostos pelo dele. Quando atingiram o clímax, Bea sorria satisfeita e mais tranquila. Afinal era apenas sexo, como sempre fora.
Dois meses depois as obras estavam quase terminadas, Ryana e Frank passavam os fins de semana na herdade com eles, e o menino estava cada vez mais ligado a Max.
- Quando chegar o dia, Max será um bom pai. - Ryana acenou ao filho que andava a cavalo com Max.
- Sim, aposto que sim. - Não gostou de imaginar Max com outra mulher.
- Que cara foi essa?
- Cara nenhuma, andas a imaginar coisas.
- Não, não... Sei bem o que vi. Uma sombra cruzou os teus olhos quando falei nos filhos de Max. Ciúmes?!
- Ora essa! Ciúmes... e porque teria ciúmes?! É livre de ser pai quando bem entender. Desde que não espere que eu seja a mãe. E que me avise quando se cansar de mim.
- Claro. - Ryana, baixou a voz - O único requisito para estarem contigo, fidelidade. E tu?!
- Eu?! Eu sou-lhe fiel.
- Eu sei. Mas que sentes tu? E não me digas que sentes por ele o mesmo que por Mike, ou mesmo por César... Não acredito, conheço-te muito bem. Como te vais sentir quando ele decidir partir?! Porque agora ele está feliz assim, mas talvez um dia, isto que tu lhe ofereces não seja o suficiente.
- É livre de partir.
- Quem é que vai partir?! - Max olhava para elas, não perceberam que ele deixara Frank com Jim.
- Ninguém. Coisas de Ryana, o ar puro do campo está a afectar-lhe a inteligência.
- Sim... O maior cego é aquele que não quer ver, sabias?! -Ryana gritou para a amiga, que se dirigia para casa a passos largos. - Um dia vais dar-me razão...
Nessa noite, depois de uma sessão de sexo, teve pesadelos, sonhava com Max e com os filhos dele. Não deixava a herdade, ficava ali com a mulher que escolhera para casar, podia vê-la, loira, linda... na entrada do anexo, recebendo-o com um carinhoso beijo.
Acordou transpirada, olhou Max que dormia calmamente a seu lado.
A culpa era de Ryana, que raio de conversa para ter com ela! Sabia bem que ela não queria filhos, nem casar! Max era apenas o homem que lhe proporcionava noites fabulosas de sexo, apenas isso! E ela, como sua amiga, devia de saber que nunca iria entregar o seu coração, nem a Max nem a ninguém!
Aquela conversa com Ryana levou-a a pensar no que sentia por ele, desejava-o, e no geral, era feliz, quando estava com ele, esquecia-se que estavam juntos por puro desejo sexual, esquecia-se do que a sua mãe sofreu pelo seu pai, o muito que Mike a magoou, no que Ryana sofreu com o pai de Frank... Quando estava com ele tudo isso era deixado de lado, desfrutava dele, e de toda a felicidade que ele lhe podia dar. Com receio que ele se torna-se indispensável começou a evitá-lo em pequenas coisas, saía sozinha, resolveu as burocracias fiscais, mesmo depois de ele se oferecer para o fazer. Se ele dizia algo que pudesse originar as pequenas brincadeiras sexuais que tinham, ela fazia-se de desentendida. Mas quando chegava a noite, aí dava-se ao luxo de aproveitar cada segundo de prazer que ele lhe proporcionava.
Mas aquela tensão estava a acabar com ela, mesmo depois do sexo, continuava a dormir mal. Por algumas vezes sentiu-se desfalecer, por isso essa noite deitou-se mais cedo, mas descansou por pouco tempo, apenas enquanto esteve nos braços dele. Ficou ali deitada, olhando para ele dormir.
Era lindo, queria passar os dedos pelos cabelos fartos dele, acariciar o seu peito, beijar a boca que conhecia tão bem... Lutando contra esses desejos, saiu da cama e foi para o escritório, o trabalho era a única coisa que a fazia esquecer o desejo que a queimava por dentro. Tinha muito que fazer ainda, embora fossem apenas uns detalhes, tinham de estar terminados antes do fim das obras. O anexo foi transformado em refeitório e ao lado construíram os dormitórios. A estufa foi remodelada e poderiam plantar lá flores e ervas aromáticas. Restava escolher o mobiliário e comprar as roupas para as camas. Ryana tinha encomendado as toalhas para as mesas, todas aos quadrados brancos e vermelhos. Assim como as cortinas para as janelas. Apenas deixaram as janelas que davam para o lago sem cortinas, essas eram de correr e ocupavam a parede todas. Ela e Max decidiram que era uma pena tapar aquela vista.
Empenhou-se na escolha do mobiliário, as mesas seriam simples e com cadeiras, não queria aqueles enormes bancos, tão típicos dos acampamentos. Achava-os aborrecidos. Escolheu também uma estante, que seria colocada no antigo quarto de Max, como tinha uma janela grande, foi transformado numa mini biblioteca. Com sofás e mesas redondas. Começou a fazer um esboço da disposição dos móveis. Quatro mesas com as respectivas cadeiras seria suficiente, os livros. Teria de ir até à cidade comprar...
- Que susto! - Max entrara sem fazer barulho e deu-lhe um beijo no pescoço, o que fez Bea saltar na cadeira, e quase derrubar o tabuleiro, que ele levava com café e croissant, assim como compota e fruta.
- Andas muito estranha. - Max, deixou o tabuleiro em cima da secretária e sentou-se no tampo junto a ela - Está tudo bem!?
- Porque não haveria de estar?! - Bea contornou a secretária pelo outro lado
- Por isso que acabas-te de fazer.
- E que foi que fiz?! Apenas me levantei.
- Claro... Andas a evitar-me?!
- Evitar-te?! Torna-se um pouco difícil, tendo em conta que dormimos na mesma cama.
- Mas no geral sim... Achas que não notei?
- Pareces a Ryana... Imaginam cada coisa. - Bea agarrou casaco e voltou-lhe costas - Tenho de ir à cidade e...
Max agarrou-a pelo braço e puxou-a, ficando a escassos centímetros dela.
- Refiro-me a isto! Ultimamente TU tens, antes era nós temos, algo mudou.
Bea, baixou a vista, ele tinha razão. O sexo era fabuloso mas estava a ficar dependente dele e ela não gostava disso, queria poder deixá-lo quando se cansa-se dele. Ultimamente delegava-lhe muitas tarefas, e sentia que perdia a sua independência. Precisava recuperar o seu espaço.
- Nada mudou, o sexo é fan...
- Não resumas tudo ao sexo! - Max quase que gritava - Não vou permitir que me afastes, não por motivos idiotas. Ouviste?! Não sou um boneco que descartas quando te aborreces. Ainda me queres?!
- Sabes que sim. - Era verdade, queria-o tanto ou mais que da primeira vez - Não imagines coisas onde elas não existem. - Beijou-o, sabia que ele a desejava tanto como ela a ele, por isso usava isso para evitar responder-lhe, mas desta vez ele não se rendeu.
- Bea, não sou César. Não te vais escapar com um beijo. Não vou andar atrás de ti como um cão rafeiro, mas também não vou desistir de ti porque tens medo de algo que não compreendo. O dia que me olhares nos olhos e vir que esse brilho que te ilumina o olhar, desapareceu, aí sim, podes pedir-me, ordenar-me, expulsar-me da tua vida. Até lá, não o vou permitir.

Comentários
Enviar um comentário