O CONTRATO 12ª PARTE
Hospital! A palavra não lhe saía da cabeça. Que teria acontecido para Carmen estar no hospital?! E porque Carmen deixaria Bea com Marc?! Ela tinha a certeza que ele adorava os sobrinhos mas ficar com Bea?! Não estaria Carmen a pedir demais ao irmão?
Assim que estacionou o carro, o choro de Bea chegou até ela vindo do jardim. Sentindo o coração em pedaços devido ao choro compulsivo da criança apressou o passo. Marc passeava com a sobrinha nos braços ao mesmo tempo que falava com ela.
- Ainda não se calou? - Bella aproximou-se dele.
- Não. - Marc deu-lhe a bebé - Nunca ficou assim.
- Talvez tenha saudades da mãe. Porque está a tua irmã no hospital?
- Depois falamos. Os gémeos podem aparecer a qualquer momento.
- Também estão contigo?!
- Claro que sim!
Marc parecia aborrecido com aquela observação e ela achou melhor não lhe dizer que deixar os gémeos sem vigilância não era a melhor forma de cuidar deles.
- Desculpa. Não era minha intenção dar a entender que não sabes cuidar deles ou coisa do género. É lógico que deviam ficar contigo. - Bella começou a caminhar em direcção de casa.
- Pois foi o que deste a entender! Onde querias que ficassem?
- Podiam ficar com a tua mãe.
- Também está no hospital.
Bella recordou a conversa que ouviu em casa de Carmen entre eles e recordou que falavam sobre Michele e olhou para ele. Não pensou que podia ser a mãe e não a irmã a estar doente. Daí o ar abatido dele.
- Pelo menos tem a tua irmã para lhe fazer companhia.
- É exactamente o oposto.
- O oposto?! - Bea começou a chorar mais alto. - Não chores linda.
- Já tentei isso!
- Tens de ter um pouco mais de paciência!
- Gostava de te ver se a ouvisses desde o nascer do dia.
- Não seria a primeira. - Bella sorriu ligeiramente ao recordar as crianças que cuidou ao longo dos anos - Onde lhe posso dar banho?
- Na banheira!
- Piada... - Bella olhou-o fixamente - Já que estás mais animado, podes abrir a torneira? Com água tépida.
- Com certeza minha senhora. - Marc passou por ela - Mais alguma coisa madame?
- Não obrigada. E pára de falar assim.
- Assim como?
- Não te faças de desentendido. Sabes perfeitamente. - Bella ajeitou Bea no colo, que continuava no seu choro incessante, e começou a subir as escadas - Quando ela se acalmar tenho de...
- Achas que vais conseguir?
- O quê?!
- Que se acalme.
- Para teu bem espero que sim. Ou terás toda a noite para testar a tua paciência.
Marc olhou para ela com o sobrolho franzido ao entrar na casa de banho e depois de abrir a torneira ligou o aquecimento. Sentia os olhos dele seguindo todos os movimentos. Como se estivesse a controlar a situação ou a aprender. Um choro mais aflito levou-a a concentrar-se no que fazia e não nele.
- Ou seja, não pensas ficar.
Aquela frase perdida no tempo obrigou-a a parar de despir Bea e a olhar para ele. Ficar?! Não tinha pensado nisso. Prontificara-se a ir sem lhe fazer qualquer pergunta, mas ficar?! No seu intimo sabia que devia mas o seu coração não ia aguentar. Principalmente se uma outra mulher chegasse no dia seguinte. Ou nessa mesma noite. Não sabia que dizer, nem que fazer.
Voltou a concentrar-se em Bea que estava agitada demais e suspirou. Não... Não podia. Conhecia-se perfeitamente, sabia que se o fizesse não iria dormir descansada. Ele não estava preparado para cuidar de Bea. Dos gémeos talvez mas de um bebé?! As crianças estavam em primeiro lugar, depois o que sentia por ele e o que a ruiva lhe fazia sentir.
- Onde está a roupa dela?
- Que queres?
- Uma fralda, um body, uns collans...
- Isso eu sei. Vais vestir-lhe pijama ou vestido?
- Algo confortável.
- Pijama.
O banho ajudou Bea a ficar mais calma mas ainda olhava para tudo em redor como se procurasse algo. Quando Mari e Pablo apareceram a correr com Fénix ao colo Bea sorriu, o que confirmou a Bella que a pequena sentia saudades de casa e da mãe.
- Bella! - Mari correu para ela
- Olá meninos.
- Vês?! - Mari olhou para o irmão - Eu disse!
- Ei!!! - Pablo encolheu o braço quando a irmã lhe deu uma ligeira palmada.
- Aconteceu algo? - Bella abraçou Pablo
- Ele disse que tu não ias ficar.
- Não disse isso! - Pablo elevou a voz. - Disse que...
- Meninos! Agradeço que falem mais baixo. - Marc repreendeu os sobrinhos - Bea precisa descansar e eu também.
- Desculpa tio.
- Porque não se comportam devidamente e me ajudam a preparar o almoço?
- Boa! Piza!
- Piza?!
- Sim... Porfa...
- Assim é que não! Diz-se por favor! Nada de meias...
Bella sorriu ao vê-los sair da sala, olhou para Bea e esta levou a mãozinha aos olhos. Estava com sono mas a sala não era o local adequado, não quando os irmãos corriam pela casa como loucos. Agarrou-a ao colo e subiu as escadas. Percorreu os quartos tentando encontrar um que tivesse uma cama adequada a Bea mas nada. Entrou no quarto mais perto das escadas e colocou a bebé sobre a cama olhando em redor ponderando as opções.
- Parece que não resta outra alternativa. - Bella empurrava a cama enquanto falava com Bea. - Tu precisas de dormir e de preferência em segurança. Por isso terás de aguentar ...
- Que estás a fazer?
- Que te parece?! - Bella deixou de empurrar a cama e olhou para ele - Bea precisa de um lugar para dormir.
- E não pensaste em pedir ajuda?
- Se sabias que os teus sobrinhos iam ficar contigo devias ter uma cama para ela.
- Peço desculpa por não ter. - Marc empurrou a cama até à parede sem o mínimo esforço - Mas não tive tempo. Se não tivessem apressado as coisas...
- Apressado?! Que queres dizer com isso?
- Adiantaram a operação duas semanas. - Marc colocou o sofá encostado à cama - Penso que assim estará segura.
- Sim, penso que sim. Obrigada.
- Eu é que agradeço.
Marc saiu do quarto e ela ficou a olhar para Bea no meio da cama. Os olhos desta percorriam o espaço saltando de um objecto para outro agitando os braços e recomeçando o choro, Bella adivinhava uma noite de insónias para todos. Sentou-se no sofá e fechou as persianas. Segurou a mãozinha dela e começou a cantar baixinho até que Bea adormeceu.
Ao sair do quarto esbarrou em Marc que ia a entrar e olharam-se em silêncio. Bella conseguia sentir o calor do corpo dele através da camisola de lã e recordou os beijos dele, as mãos no seu corpo... Estremeceu perante aquelas recordações.
- Adormeceu. - Bella sussurrou.
- Finalmente.
- Demorou um pouco mas depois acalmou-se.
- Ainda bem.
- É...
- Carmen enviou isto. - Marc deu-lhe um intercomunicador - Assim podes descer e almoçar connosco.
- Piza?
- Frango à toscana.
- As crianças não queriam piza?
- Pensei que não deviamos satisfazer os caprichos deles.
- E não devemos.
Bella agarrou o aparelho ciente que estava a adiar o afastamento entre eles e entrou no quarto sentindo o desejo crescer. Porque tivera de se apaixonar por ele... Porquê?!
- Frango à toscana... - Bella fechou a porta do quarto - Não fazia ideia que sabias cozinhar.
- Não fazes ideia de muita coisa.
- Acredito. - Bella recordou o beijo que ele trocou com outra mulher e não se conteve quando os ciúmes se apoderaram dela - Principalmente o facto de ires casar.
- Quem te disse isso?
- Ouvi. Não sei a quem, mas isso também não interessa.
- Não?!
- Não. Se vais...
- Tio podemos comer batatas fritas? - Mari apareceu junto ás escadas. - Podemos?! Diz que sim!
- Sim, podem.
- Boa!
Bella entrou na cozinha segurando a mão de Mari. O almoço decorreu entre histórias que Mari contava do jardim de infância como se estas tivessem ocorrido à imenso tempo e as interrupções de Pablo que não concordava com o desenrolar das mesmas. Marc prestava atenção a tudo o que diziam e fazia perguntas ás quais os sobrinhos respondiam como se fossem adultos. Ao ver a forma como ele lidava com as crianças Bella reafirmou a ideia que era um homem diferente quando estava com os sobrinhos. Quando o choro de Bea se juntou à conversa ele levantou-se da mesa insistindo para que ela ficasse e terminasse o café.
Quando Marc reapareceu na cozinha tinha consigo uma Bea sorridente. Com Bea sentada na cadeira começaram a arrumar a cozinha enquanto os gémeos saíam com Fénix para a "caçada".
- Amanhã podes ajudar-me a escolher uma cama para ela? - Marc colocou a saladeira na máquina.
- Sim.
- A que horas te apanho?
- Decidi ficar.
- Vais ficar?! - Marc ficou a olhar para ela.
- Dadas as circunstâncias é melhor. Isto se ainda quiseres.
- Se quero?! Não sabes como te agradeço.
- Como podes ver, não precisas impor a tua vontade com ameaças. Se tivesses explicado eu...
- Não te ameacei!
- Não?! Acho que apenas vês o que queres ver.
- Dizes isso por Xavier?
- Não! Digo por tudo o mais. Mas principalmente porque me ameaçaste para me forçares a tratar pessoalmente do solar!
- Já pedi desculpas pela situação de Xavier e quanto ao contrato eu... - Marc calou-se e olhou um ponto por cima dela - Isto é ridículo. Se vais ficar talvez devessemos assinar tréguas.
- Tréguas?! Não sabia que estávamos em guerra!
- E que chamas a isto?!
- A nossa convivência?! Não foi assim desde o inicio?
- Nem foi sempre assim. - Marc aproximou-se e levou uma mão ao cabelo dela roçando levemente o rosto - Houve momentos em que nos entendíamos perfeitamente. Já te esqueceste?
- Marc... - Bella rendeu-se às caricias dele - Não podes...
- Não?! - Marc colocou a mão no pescoço dela - Se disseres que me esqueceste afasto-me neste mesmo instante.
- Sabes que não...
- Sei... - Marc beijou-a levemente - Sei que estou nos teus sonhos como estás nos meus. - Os lábios dele voltaram a procurar os dela - Sei que ainda te faço suspirar...
Quando Marc colou o corpo ao dela, Bella sentiu tudo andar à roda e colocou os braços em redor do pescoço dele aproximando os corpos ainda mais e suspirou profundamente ao sentir a língua dele procurando a sua.
- Tio...
Uma porta ouviusse ao longe e Marc afastou-se dela com o semblante carregado. No minuto seguinte Pablo entrava na cozinha com o rosto vermelho.
- Tio...
- O que aconteceu que justifique esta gritaria?
- Fénix... não o vemos...
- Deve estar escondido algures. - Marc segurou a mão do sobrinho - Não te preocupes, ele vai aparecer.
Bella agarrou Bea ao colo decidida a sair para ajudar na busca de Fénix. Mas ao chegar ao corredor teve de esboçar um sorriso. Um assustado Fénix escondia-se entre o aparador e um vaso enorme de porcelana.
- Para sobrevivente és muito medroso. - Bella abriu a porta da biblioteca e o animal desapareceu entre os sofás - É melhor irmos avisar o tio. Não te parece?! - Sorriu ao ver o sorriso de Bea - Pois... Também acho.
Apesar do " desaparecimento" de Fénix conseguiram arranjar forma de entreter os gémeos. Ao fim da tarde ligou a Marisa explicando, ainda que brevemente, o que tinha acontecido de modo a que se preparassem para mais uns dias sozinhas e pediu a Graça que levasse os cães a passear. Quando desligou o telemóvel pensou que mais tarde ou mais cedo teria de ir a casa. Quando saíra de casa apenas tinha pensado em ajudá-lo por umas horas, não ficar a dormir. Como tal não tinha roupa nenhuma, nem nada de higiene...
- Porque não disseste que Fernando está no hospital? - Marc olhava para ela desde a entrada da sala.
- Não o fiz propositadamente. E desde quando escutas as conversas dos outros?!
- Ouvi porque estava de passagem e não tínhamos acordado não discutir? - Marc acariciou o rosto da sobrinha. - Eu prometi ficar com eles se algo acontecesse a Fernando.
- Estavas a falar a sério?! - Bella olhou para os olhos dele, parecia sincero.
- Nunca disse nada que não tivesse intenções de cumprir.
- E Fénix?!
- Vão entender-se em poucos dias. Um dia vais olhar para eles e nem te vais lembrar do dia que chegaram aqui. Vais ver.
A forma dele falar dava a entender que ela também iria ver como os animais iriam conviver em harmonia. O que não estava totalmente errado já que não havia perspectivas de Fernando ter alta e ainda restava muito tempo de contrato. Como tal, ela tinha de ir ao solar ainda que periodicamente, contrariamente ao que dava a entender no email que lhe enviara, sabia que por muito que lhe custasse vê-lo com outra mulher era obrigada a isso pois não lhe podia fazer frente judicialmente. Tinha praticamente um ano para reviver as recordações das noites que passara com ele no solar. Noites que ela não conseguia esquecer por muito que tentasse.
Tentaria dar o seu melhor, apenas não prometia manter a compostura quando se visse obrigada a encará-lo depois dele casar com a ruiva.
- O tempo o dirá. - Bella afastou-se com Bea - Mas agradeço imenso que permitas que fiquem aqui.
- Estás aborrecida com algo?
- Não. Estou apenas cansada e percebi que não deixei apenas os cães em casa.
- Não és prisioneira! Podes ir a casa sempre que quiseres.
- E Bea?
- Depois do que passei, mais uma hora de choro não tem importância alguma.
- Nesse caso...
Bella deu-lhe Bea e saiu sem olhar para trás. Ainda não tinha chegado à porta principal já se ouvia o choro da pequena. Respirou fundo e saiu. Custava-lhe deixar Bea naquela aflição mas não lhe restava alternativa. Precisava de roupa para os dias que ia passar ali. Era apenas uma breve saída, depois regressava e não se iria separa dela até que Carmen voltasse.
Nunca imaginou fazer aquele caminho com tanta rapidez. Graça ainda se encontrava a tratar da contabilidade e Marisa arrumava o armazém. Ao vê-la Marisa sorriu e seguiu-a até ao quarto.
- Umas noites no solar... Acho bem. Estava na hora de rumares a novos horizontes.
- Estás redondamente enganada. Esses dias pertencem ao passado. - Bella meteu os pijamas na mala perante o olhar de reprovação de Marisa - Vou em trabalho.
- Trabalho?!
- Vou cuidar dos sobrinhos dele enquanto a irmã está fora.
- Ele ainda não percebeu?
- O quê?!
- O que sentes.
- O que sinto?!
- Estás perdidamente apaixonada. Por muito que negues está...
- Não vou negar.
- E ele não vê?!
- Espero que não. A noiva podia não achar muita piada.
- Noiva?!
- É... Noiva... tenho um dom. E especial! Gostar de homens comprometidos.
- Dom?! Tens é de ir à bruxa, isso sim. Só pode ser enguiço!
- Talvez. - Bella fechou a mala. - Mas isso não interessa, ele ia casar e...
- Ia?! - Marisa segurou-lhe a mão - Minha querida se ia, não vai. Por isso não tem noiva!
- Com ou sem noiva. O beijo que se deram é sinal que ainda existe algo.
- Beijo?!
Resumiu os acontecimentos a Marisa sem falar na cirurgia de Carmen e uma hora depois Graça deixava-a no solar juntamente com Mily e Timi.
Quando entrou em casa o som de risadas chegou até ela vindo da cozinha e dirigiu-se até lá. Ao abrir a porta não conteve um sorriso. Uns enfarinhados gémeos ajudavam Marc a fazer uma empada sob o olhar cheio de lágrimas de Bea.
- Se não os podes vencer... - Bella olhou para eles sorrindo.
- Algo do género. - Marc pareceu-lhe aliviado - Bea começou a chorar assim que saíste.
- Eu ouvi. - Ela agarrou Bea quando esta lhe estendeu os braços.
- Obrigada. - Marc sussurrou junto a ela.
- Porquê?!
- Por teres regressado.
- Agradeço a confiança! - Bella respondeu sarcástica.
- Não queria... Bolas! - Marc passou a mão no cabelo e este ficou cheio de farinha. - Parece que...
- Estás a sujar-te todo.
- Não importa! - Marc fixou o olhar nela - Meninos... Banheira. Não quero ninguém sujo à mesa.
- Vai com eles. Eu limpo isto.
- Deixa estar, eu trato disso depois. - Marc segurou-lhe a mão ao mesmo tempo que ela tentou agarrar uma tigela. - Precisamos conversar.
- Concordo.
Marc olhou para ela fixamente, por instantes pareceu-lhe que ele queria dizer algo mais, mas Bea chorou e ele saiu nesse momento.
- Duas crianças pequenas e uma grande. - Bella ajeitou Bea nos braços - Restamos nós. Ajudas a limpar?! Sei que sim.
Bea sorriu-lhe como se entendesse o que ela dizia. Sempre se entendera muito bem com as crianças, especialmente com os bebés mas nunca tivera uma conexão tão grande, nem tão imediata, como com Bea.
Quando Marc desceu ela tinha a cozinha limpa e estava a colocar os pratos na mesa.
- Isso é tarefa dos gémeos. - Marc sorriu para ela.
- Ainda são muito pequenos.
- Está na hora de começarem a ter responsabilidades. As coisas não caem do céu.
- O que caí do céu?! - Mari apareceu atrás do tio.
- Nada linda. Filosofias do teu tio.
- Filo...filo...
- Filosofias. Palavras finas de Bella. - Marc fez uma careta e agarrou a sobrinha ao colo - O teu irmão?
- Está a vestir-se.
Pablo desceu pouco depois e conseguiram jantar com tranquilidade pois Bea passou o tempo no colo de Bella. Quando os gémeos foram para a cama Bella tomou consciência que ia passar uns dias ali com ele, perante essa perspectiva o seu coração encolheu-se.
- Café?
- Obrigada.
Bella aceitou a chávena que ele lhe estendeu e ficou a mexer o café no que lhe pareceu uma eternidade. Apenas se ouvia a colher a bater ligeiramente na chávena e a respiração deles.
- Não querias dizer-me algo? - Bella levou a chávena aos lábios.
- Sim... - Marc olhou a mesa fixamente - Carmen foi operada esta tarde. Ainda não consegui falar com elas. Não sei como está e...
Marc calou-se quando ela segurou a mão dele.
- Estará bem. A tua mãe não atende o telemóvel?
- Não.
- Possivelmente está com ela, vais ver que vai ligar assim que sair.
- É uma cirurgia simples mas não consigo evitar ficar preocupado.
- O que é normal. E quando tiver alta vem para casa?
- Não, vão directamente para Murat até que recupere.
- E não quer ver os filhos?
- É melhor não. - Marc apertou a mão de Bea - O meu cunhado faleceu no hospital e os gémeos criaram um certo pânico aos hospitais.
- Pobres crianças!
- Foi uma situação completamente diferente mas eles não entendem. Sofreu um acidente e surgiram complicações. Carmen vai fazer uma cirurgia de rotina.
- Então é questão de poucos dias.
- Não tão poucos como isso. Teve uma infecção num ovário, depois da cirurgia restam dois meses de recuperação.
- Que disseram aos gémeos?
- Que a mãe estava a fazer companhia à avó porque está adoentada. E eles podiam passar uns dias com Félix.
- Ou seja inventaram uma meia mentira.
- Não inventámos nada. - Marc retirou a mão abruptamente - Ela está com a minha mãe e eles estão aqui. Ofereci Félix aos gémeos mas Carmen tem alergia a pêlo de gato e eu fiquei com ele. Assim que chegou a confirmação da cirurgia a minha irmã pensou em deixá-los com uma ama, como não queríamos que se soubesse da cirurgia pensámos em alguém de longe, alguém que não pudesse ir comentar a situação e esta pudesse chegar aos gémeos. Carmen relutou em pouco em deixar os filhos com um estranho mas quando falei em ti concordou, desde que pudesse conhecer-te antes e ver como as crianças reagiam a ti. A reacção dos gémeos foi a esperada pois são muito espontâneos mas fomos surpreendidos por Bea. Nunca imaginámos que ia reagir assim a ti.
Bella olhou para Bea enquanto assimilava aquela informação. Estava condenada a conviver com ele dois meses?! Dois meses a dormir na mesma casa!
- Ou seja. Vou ficar aqui dois meses.
- E isso incomoda-te?
- Só estou preocupada com a tua noiva.
- A minha quê?! - Marc levantou-se aborrecido - Não tenho noiva.
- Pois a ruiva parecia conhecer-te muito bem.
- Que rui... - Marc olhou para ela fixamente. - Quem te falou de Olívia?
- Afinal sempre tens.
- Não, não tenho! E que te falou nela?!
- Ninguém. Vi a forma como se beijaram. - Bella fingiu uma naturalidade que não sentia - Oh não me interpretes mal. Quem beijas não é da minha conta, apenas...
- Já tinhas mencionado algo do género.
- Sim?! Já me tinha esquecido. Não era preferível ser ela a cuidar dos teus sobrinhos?
- Olívia?! - Marc forçou um sorriso - Em primeiro lugar ela detesta crianças. Apenas se interessa por ela própria e em segundo se naquele dia não estivesse em casa da minha irmã...
- Marc... - Bella desejou terminar aquela conversa rapidamente ao sentir o coração sangrar por recordar mais uma vez aquela situação. - Não tens de te justificar. O que aconteceu entre nós terminou. - Bella recordou o beijo nesse mesmo dia - Não vou negar que ainda existe uma certa atracção mas não passa disso mesmo. Uma atracção, nada sério. Não te preocupes, vou ajudar-te com os teus sobrinhos e se pretenderes estar com Olívia eu...
- Chega! - Marc deu um murro na mesa e assustou Bea que começou a chorar - Bolas!
- Vês o que fizeste? - Bella levantou-se - Agora sei porque estou aqui. E isso é a única coisa que interessa. Se não te importas vou deitar-me pois acho que a noite vai ser longa.
- Bella não podes...
- Até amanhã Marc.

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