O Padre XIII parte

 




Valerie desligou o despertador e afastou a pesada manta. Decididamente tinha que comprar um edredon.
Quando deixara o solar levara apenas a sua roupa mas começava a perceber que a quinta tinha ficado parada no tempo.

Fazia três meses que deixara o solar e a sua mãe aos cuidados de Maria. Viver lá estava a deixá-la num farrapo. Mal dormia e sempre que ouvia o portão corria para a janela num misto de medo e esperança que fosse Erick. 
Consciente que não podia continuar assim, nem deixar a sua mãe sozinha, pedira a ajuda de Maria. Esta sorrira perante a desculpa que ela dera mas nada dissera. Enquanto regressava ao solar percebeu que podia ter inventado uma desculpa mais plausível. Afinal Maria já a conhecia á algum tempo e não era tola. Aliás, quem a conhecesse minimamente sabia que adorava viver no solar. Simplesmente não lhe ocorrera nada mais que dizer que a vida ali era demasiado calma para ela. 
A sua mãe não se surpreendera com a decisão dela. O que estaria a fazer naquele momento?! Já estaria à espera de Erick ou este deixara de a visitar?

Sentindo raiva de si mesma por pensar nele vestiu-se rapidamente e abriu a janela do quarto deixando a brisa da manhã entrar. A chuva dera tréguas naquela manhã mas os campos estavam cheios de pequenas poças de água, sinal que ainda ia demorar algum tempo até conseguirem trabalhar a terra.  Felizmente tinha ajuda.
Apesar do mau tempo, Jack não tardaria em chegar para mais um dia de trabalho. E havia muito a fazer no barracão onde guardavam as sementes e a maquinaria. Inicialmente relutara em pedir-lhe ajuda para essa tarefa, sendo ele engenheiro, pensara que este se iria sentir ofendido por retirar caixas, entre coisas que ela só conseguia denominar como pedaços de ferro ínutil, e colocar as prateleiras novas. Bastaram duas semanas a trabalhar lado a lado com Jack para perceber que estava duplamente enganada. Nem Jack se ofendeu por ajudar nem o excesso de trabalho a ajudava a esquecer Erick.

 Os primeiros dias ali foram os mais fáceis nesse aspecto. Entre a limpeza da casa e a planificação do seu novo trabalho ocupavam-lhe a mente durante o dia mas as noites eram demasiado agitadas. O que a levava a passar horas durante a madrugada a fazer pesquisas e orçamentos. Não precisou muito para perceber que precisaria de alguém para a ajudar. E não seria apenas homens para o trabalho mais pesado, uma ou duas mulheres seriam bem vindas.
Foi numa dessas buscas desesperadas que encontrou Jack e Lin. Um jovem casal que queria deixar a vida na cidade para dar uma vida mais saúdavel à bébé que estava para chegar. Jack era engenheiro agrônomo e Lin dedicara os estudos ao cultivo sustentável. Mas o seu passatempo eram as ervas e seus beneficios. 

Ainda tinha alguns pequenos detalhes a tratar mas o principal estava resolvido e em questão de dias pode iniciar o seu projecto. "Doce Perfume".
Gostava do nome com duplo sentido mas apropriado. A atividade principal da empresa era o cultivo de flores, um mercado bastante parco na zona, alguns produtos hortícolas e futuramente mel biológico. Adquirira estufas, um tractor e a maior parte das sementes. Ainda tinha um longo caminho a percorrer mas tinha a certeza que o seu projecto era viável. Já tinha algumas floristas em vista e após alguns breves contactos algumas grandes superfícies ficaram bastante interessadas em comprar directamente ao produtor. Com isso em mente, e na esperança de esquecer Erick lançou-se de cabeça na sua nova vida.

Depressa fez amizade com Lin e como viviam ali perto, a presença dela era constante na quinta.
 Gostava da companhia desta e das longas conversas que tinham sobre cultivo sustentável e polinização natural. Lin mostrara-se uma boa conhecedora da polinização e assegurava que os pequenos seres voadores iriam ajudar e muito. 
Lin escolhera o local para as colmeias e pouco a pouco deu ínicio à plantação de alecrim e rosmarinho enquanto Jack tratava da parte de lavoura dos campos e ela da plantação das estufas. As chuvas dos últimos dias vieram atrasar os trabalhos mas isso não invalidava a presença do casal ali.

Estava projectado a colocação da colmeias no início da primavera e Lin conhecia quem lhe vendesse abelhas para começar a colonia "abelhal". Coisa que ela estranhara pois sempre pensara que as abelhas eram seres que viviam no campo livremente e não seres que se pudessem comprar como quem compra um pedaço de queijo!

Levara novamente a chávena aos lábios e sorriu ao perceber que na sua divagação esvaziara a mesma sem se aperceber. 
Enchia a chávena novamente quando Soop passou a correr pelo pátio. Sorriu ao ver a corrida desengonçada do cachorro. Futuramente seria um bom cão de guarda pois não havia barulho que lhe passasse despercebido mas por agora era apenas uma bola peluda que, após rosnar envergonhadamente para as visitas, só pensava em correr pela quinta atrás das galinhas. Ás vezes a algazarra era tanta que chegava a pensar que um dia as pobres galináceas iriam ficar carecas ou poriam ovos já cozidos pelos sustos que este lhes pregava. Ainda sorria perante aqueles pensamentos quando o som de um carro se fez ouvir.  Jack e Lin chegaram! Colocou café fresco no filtro e olhou para Soop que corria em direcção ao portão.

O sorriso desapareceu dos seus lábios e o seu coração gelou ao ver Erick descer do carro e abrir a porta  de onde saiu a mãe dela.

O seu coração agitou-se perante a possibilidade de Erick estar ali. Não podia ser! A sua mãe não lhe faria algo assim!
Num gesto infantil fechou a porta à chave e sentou-se no chão fingindo que não estava em casa. 
Levantou-se repentinamente ao ouvir vozes que chegavam da sala. A porta da frente! Idiota! Como não pensara nisso?! Abriu a porta da cozinha fugindo para o barracão na tentativa de evitar aquele encontro mas Soop nesse momento corria atrás de um pequeno gato e atirou com ela ao chão. Ainda vira Erick e a sua mãe antes de sentir a madeira do pilar no seu ombro e depois tudo ficar escuro. 

Sentia-se meio zonza... olhou em redor. Estava no seu quarto. Fora um sonho. Nada mais. As saudades e o amor que sentia por Erick levaram a melhor e mais uma noite sonhara com ele. Levou a mão á cabeça mas uma pontada de dor fê-la gemer de dor e recolher o braço.

- Deixa-te ficar sossegada!

A voz da sua mãe fez o seu coração disparar. Olhou na direcção da voz. Lana estava sentada na poltrona junto à janela. Não fora um sonho! A sua mãe estava ali!

- Que estás a fazer aqui?! - Valerie olhou em redor. Felizmente estavam sozinhas. 
- Não é óbvio? - Lana ajeitou a manta sobre as pernas da filha - Não voltes a assustar-me assim!
- Assustar-te?! - Valerie mexeu-se na cama tentando recordar os últimos acontecimentos. - Pensei que estava a sonhar.
- Sonho?! Mais me pareceu um pesadelo! Quando te vi cair o meu coração parou. Felizmente não vim sozinha.
- Não?!
- Sabes perfeitamente que não! 

Valerie afastou as mantas e tentou sair da cama mas foi impedida pela mãe.

- Nem sonhes!
- Pelo amor de Deus! Estou bem. Foi apenas uma queda sem importância.
- Sem importãncia... Pois! Aquele cão é sempre tão frenético?
- É apenas um cachorro que gosta de brincar.

Valerie recostou-se na cama resignada. Sabia que não ia adiantar argumentar com a sua mãe.

- Isso! Sê boa menina e descansa. Vou fazer um chá e preparar algo para comeres.
- Já comi.
- Como estava a dizer, vou preparar algo para comeres!
- Já que insistes. - Valerie olhou a mãe fixamente - Mas porque vieste? 
- Falamos depois do médico te examinar como deve ser. 
- Não vou ao hospital.

Achou que a sua mãe não a ouviu pois não lhe deu resposta. Respirou fundo... Se a mãe estava ali significava que Erick estava algures pela quinta. Ou mesmo dentro de casa! Fechou os olhos e negou-se a pensar nisso. A sua saúde mental estava por um fio e aquele "confronto" com Erick não ajudava a sua paz de espirito. Abriu os olhos quando um leve estalido se fez ouvir dentro do quarto.

- Desculpa. - Erick olhava para ela fixamente - Não te queria acordar.
- Não estava a dormir. - Valerie mexeu-se institivamente e fez uma careta de dor. 
- Deixa-me ver isso. 
- Mas porque todos insistem em querer ver? - Valerie ficou vermelha ao perceber que estava a falar demasiado alto. - Desculpa. Não era minha intenção mas estou a ficar aborrecida com tanta atenção.
- Estamos apenas preocupados contigo.
- Sei cuidar de mim.
- Caindo?!

Valerie agarrou a manta com demasiada força mas era isso ou gritar com ele. Ou pior, ceder ao desejo e pedir-lhe que a beijasse.

- Porque vieste?
- Porque vieste tu?
- Perguntei primeiro.
- Não deixa de ter validade.
- Eu estou na minha casa!
- E eu não sou bem vindo...
- Não disse isso! - Valerie arrendeu-se mal viu o seu olhar mas não podia ceder - Ora bolas! Já sou crescidinha para dar satisfações a quem quer que seja! Mas se queres saber vim porque finalmente sei o que quero fazer na vida. Pensei muito e decidi abrir o meu próprio negócio. Não quero ser um fardo para ninguém e agora que o meu divórcio está concluído nada mais apropriado que ganhar o meu próprio sustento.
- E não pensaste em mim?!
- Em ti?! - Valerie sentiu o coração encolher. Não fizera outra coisa desde que o conhecera. Como se atrevia a perguntar algo semelhante?! - Não sei o que queres que te diga. 
- A verdade seria bom.
- A verdade... Acaso sabes o que é a verdade?! Tu e as tuas mentiras! Ah...espera! No teu caso são pequenos deslizes, segredos! 
- Nunca te menti. Simplesmente decidi que no meio de tanta preocupação era melhor não te dizer determinadas coisas. Sempre pensei que um dia irias entender que...
- Chega! - Valerie bateu com a mão no colchão mas o impacto não foi o pretendido. - Não quero ouvir mais nada! Sai daqui! Sai! 
- Pensei que...
- Que o quê?! - Valerie sentiu a raiva e a dor apoderar-se dela - Que aqui a idiota não se iria importar?
- Não és idiota!
- Não?! Só uma idiota não via o que estava à frente do seu nariz!
- Pára de dizer isso! Não sabes como me senti por te deixar à margem.
- Tens graça! Deixaste porque te era oportuno! Era conveniente ter alguém para quebrar a monotomia.
- Do que falas?! A minha vida podia ter muitas designações mas monotomia não era uma delas.
- Ah! Boa! Então não fui a ùnica! É bom saber.
- Claro que não! Assim como eu não fui o único na tua vida!

Valerie olhou para ele sentir o sangue gelar nas veias. O sacana, porque não tinha outro nome, ainda admitia que não era a única. Só a dor no ombro a impediu de lhe atirar algo à cabeça. 

- Não me parece que seja um bom ponto de comparação mas no fundo também não importa. - Valerie tentou falar o mais calmamente possível - Agradeço o tempo e a atenção que me dedicaste mas agora outros projectos se colocaram à frente. 
- Enganei assim tanto a teu respeito? - Erick aproximou-se dela e colocou uma mão no pescoço dela obrigando-a a manter-se ali - Sou paciente, talvez até demais mas se queres que saia da tua vida terás de mo dizer olhando nos meus olhos.

Valerie fechou os olhos ao sentir o toque quente dele, a respiração dele na sua face... desejava-o, queria que ele a beijasse e a levasse para a cama que olhava para eles... Aquilo não estava certo... ele era padre! Porque tinha que ser?! Porque tinha que se apaixonar por ele?! Porque o toque dele tinha o condão de a deixar sem reação? 
Sentiu uma lágria deslizar pela sua face e no mesmo instante os lábios dele absorveram essa mesma lágrima para depois deslizarem até aos dela num encontro demasiado ávido, demasiado... proibido!

- Não! - Valerie empurrou-o o mais que conseguiu.
- Não vais negar o que sentimos! Não o vou permitir. - Erick obrigou-a a olhar para ele - Compreendo os teus receios mas não sou o teu ex-marido! 
- Não és! És o padre da minha paróquia! - Valerie olhou-o horrorizada, tinha-o dito! 

Erick olhou para ela por uns instantes e soltou uma gargalhada. 

- É bom saber achas tudo isto divertido. 
- Como é mesmo o ditado?! Uma imagem vale mais que mil palavras.

Erick beijou-lhe o rosto perante o olhar incrédulo dela e dirigiu-se à janela sorrindo. 

- Anda cá. 
- E se não quiser?
- Vou aí buscar-te. 

A curiosidade perante a atitude dele levou-a a obedecer. Uma criança corria lado a lado com Soop e um pouco mais atrás a sua mãe caminhava tranquilamente com um homem. 

- Trouxeste companhia. E...
- Oh Deus do céu! Como és complicada!

Erick abriu a janela e o ar frio de inverno entrou no quarto. 

- Adam?! 

Naquele instante o homem voltou-se na direcção deles e ela quase caía novamente se Erick não a segurasse. 

- É isso mesmo. O padre é o meu irmão. Somos gémeos. Idênticos. 

Não soube como chegou à poltrona que havia no quarto mas ali estava. Sentada com Erick praticamente de joelhos em frente a ela. Olhou-o fixamente sem saber que dizer. Fora tão idiota e tudo porque não o questionou. Porque tivera medo do que poderiam dizer se soubessem que o amava. Porque era isso. Toda aquela situação lhe doía porque o amava. Amava-o tanto que lhe custava respirar sempre que pensava nele. Fugira dele pensando que não o podia amar. Que o amor que sentia era proibido. Um pecado aos olhos de Deus e dos homens. Desistira sem o enfrentar, sem questinar os motivos... 
Olhou-o fixamente, o seu olhar denotava confusão. Como se não soubesse o que esperar dela. Era consciente que o silêncio se perlongara mas, apesar de ter tanta pergunta, não sabia que dizer. Ou melhor por onde começar. Ele sabia tudo sobre ela mas ele era um completo mistério para ela. 

- A menina... - Valerie desviou o olhar para a janela. - É tua?!
- Altera alguma coisa se for?
- Claro que não! - Valerie levantou-se algo irritada - Apenas perguntei.
- Desculpa. - Erick caminhou para a janela e passou as mãos pelo cabelo - Emma é minha afilhada. Os pais tiveram um acidente quando ela tinha cinco anos e após algum tempo no hospital o desfecho não foi o esperado. Como seus padrinhos, eu e Alice, ficámos tutores dela. Inicialmente ficou apenas comigo pois Alice viajava constantemente em trabalho. - Erick voltou a mexer no cabelo - Algum tempo depois Alice procurou-me e ofereceu-se para ficar a maior parte do tempo com Emma. Ficara sem emprego e o namorado tinha-a abandonado, como tal dispunha de mais tempo para dar a Emma a atenção e carinho que ela precisava. Como ultimamente chegava demasiado tarde a casa pois o hospital tinha pouco pessoal acabei por concordar. 
- Hospital?!
- Sou cirugião. - Erick olhou-a seriamente - Não sabias?
- Não. - Valerie encolheu os ombros - Isso agora não importa. Continua, concordaste com Alice... 
- Sim. Até que num sábado tive a tarde livre e queria ver Emma. Fazia alguns meses que não estava com ela e no fundo sentia saudades da pequena. Comprei uma boneca e fui ao apartamento de Alice, quando esta abriu a porta era visivel a surpresa e resmungou algo sobre aparecer sem avisar. Pedi desculpa e pedi para ver Emma. Aguardei na sala e observei a mesma, estava um pouco descuidada e estranhei a ausencia de qualquer sinal de Emma. A minha sala tinha sempre algum sinal da presença da pequena. Quando Alice voltou trazia pela mão uma Emma de olhar triste. Na altura pensei que talvez estivesse a sentir a falta dos pais e não pensei mais nisso. Pelo menos durante uns dias. Uma noite saí com uns colegas e vi Alice completamente embriagada. Perguntei-lhe por Emma e... Bom, não gostei da resposta. Comecei a visitar Emma com mais frequência e apesar de Alice não dizer nada tinha sempre a sensação que a minha presença não era bem vinda. Os abraços de Emma eram cada vez mais demorados e os olhos ficavam sempre húmidos à minha despedida. Um dia abordei Alice sobre a possibilidade de Emma voltar a viver comigo. Alice murmurou  "depois vemos isso" e fechou a porta. 
Algo em mim estremeceu enquanto descia as escadas. No dia seguinte encontrei o apartamento vazio o que fez encolher o meu coração. A quem tinha entregue a filha do meu melhor amigo?!
Falei com um amigo advogado e após a conversa apresentei queixa na policia e um pedido de custodia total no tribunal. Contratei um detective que descobriu Alice e Emma a viver num hotel.  Avisei as entidades competentes pensando que me iriam entregar Emma mas apesar de Alice não poder deixar a sua residência atual até irmos a tribunal não consegui ficar com Emma. Pelo menos tinha conseguido saber onde estavam e tinha esperança de conseguir recuperar a pequena.
- Porque não te entregaram Emma?
- Alice tinha uma gravação da nossa conversa onde eu concordava que Emma fosse viver com ela.
- Isso é legal?!
- Depende de muita coisa. E, sinceramente, naquele momento estava de cabeça quente e não conseguia pensar com clareza. - Erick olhou-a fixamente por uns instantes - Meses depois conheci uma mulher e acabei por me envolver, nada de mais. Encontros casuais... 
- Já entendi. - Valerie sentiu os ciúmes crescerem dentro dela - Não precisas entrar em detalhes!
- Não sentia nada por ela e ela sabia disso. Não se importou pois não procurava um relação, apenas algo para passar o tempo. Fui um idiota. Devia ter percebido que havia algo mais. Algum tempo depois desapareceu, não que isso tivesse alguma importância para mim, dias depois recebi uma carta de Alice com algumas fotos minhas com a amiga dela. Nada de comprometedor mas era suficiente para deixar dúvidas - Erick afastou-se da janela e sentou-se na beira da cama. -  Soube através do meu amigo que a mulher com quem me encontrava era amiga de Alice e que tinham organizado um esquema para ficarem com Emma. 
- Um esquema?! - Valerie sentou-se junto a ele e segurou-lhe a mão - Não estou a entender.
- Os pais de Emma deixaram-lhe uma boa conta bancária e alguns bens para serem geridos pelos tutores. A ideia de Alice era desacreditar-me, coisa que conseguiu, perante os tribunais para ficar com tudo. 
- Que cabra! - Valerie baixou o olhar de vergonha, não tinha o direito de pensar tal coisa muito menos dizer. - Desculpa.

Erick sorriu e beijou-lhe o rosto. 

- Alice apresentou fotos minhas com a amiga dizendo que eu passava a vida de bar em bar e que Emma não era prioridade para mim. Perante as provas qualquer juiz lhe daria razão. Afinal as fotos eram a prova das minhas noitadas. O meu advogada chamou a minha atenção para o facto de que se aquelas fotos viessem a publico a minha vida como cirugião podia estar perto do fim. Ninguém quer um bon vivant no bloco operatório.  Revoltado e com raiva tirei um tempo para mim, para decidir que fazer. Liguei ao meu irmão pedindo um lugar para dormir. Aqui podia pensar seriamente se queria lutar por Emma e adoptar a pequena. Não esperava encontrar uma dozela corredora a precisar de um ombro para chorar as suas máguas. E muito menos esperava apaixonar-me por ela. 
- O campo é cheio de surpresas. - Valerie sentiu a mão dele no seu rosto e fechou os olhos. Ele amava-a e não era padre - Porque nunca disseste nada?
- Assim como eu precisavas de espaço, de descobrir o que realmente querias. Viveste sempre em função do que os outros queriam para ti que achei injusto falar-te dos meus problemas. E bastou um beijo teu para perceber o que queria. Depois disso tudo se tornou claro.
- Simplesmente um beijo?!
- Se soubesses o efeito dos teus beijos. 

Erick beijou-lhe o rosto e desceu até encontrar a boca dela sedenta dos lábios dele. No minuto seguinte as mãos dele procuravam a pele nua dela por debaixo da blusa ao mesmo tempo que ela procurava tocar nele. Todo o seu corpo sentia saudades dele... 
Erick afastou-se dela e dirigiu-se à janela. Valerie seguiu-o e encostou a cabeça no ombro dele ficando a olhar o motivo da separação deles. 
Emma corria com Soop atrás das galinhas gerando as gargalhadas dos seus guardiões.

- Agora está tudo bem?
- Sim. - Erick beijou-lhe a testa - Alice teve o que merecia e Emma é definitivamente minha filha.
- Tua filha. - Saber que ele a amava deu-lhe confiança para brincar - Isso quer dizer que estou a mais.
- Nunca estarás a mais. - Erick apertou-a entre os seus braços beijando-a novamente - Será que nos perdoam se não descermos para almoçar? 
- Podemos retomar mais tarde.
- Isso é um convite?!
- Para toda a vida. 







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